A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 29/09/2017
Zygmunt Bauman, um dos célebres sociólogos da Modernidade, já afirmava: ‘’Vivemos em tempos líquidos…’’ Assim, a Idade Moderna é caracterizada por uma condição global em que a sociedade encontra-se em constante mudança e é adepta a fluxos de incerteza. A liquidez das estruturas sociais minou a certeza dos indivíduos quanto a educação, relações trabalhistas e, até mesmo, o bem-estar social. Desse modo, a propensão a adquirir doenças mentais é verificada em larga escala e significativa nas relações sociais, configurando em um corpo social problemático e desarmonioso.
Hodiernamente, observa-se a banalização das interações humanas em função da consolidação do capitalismo moderno, visto que as relações sociais foram modificadas, estabelecendo novas formas de conduta e padrões de comportamento. Dessa forma, é crescente o surgimento de doenças psicológicas como os transtornos de pânico, depressão, ansiedade, resultando, em muitos casos, em suicídios. Como exemplifica a Organização Mundial de Saúde (OMS), somente no Brasil, 20 milhões de cidadãos sofrem com tais transtornos. Logo, explicitando o quanto a teoria baumaniana é preponderante para reverter estes quadros e a necessidade de debater essa problemática na contemporaneidade.
Outro fator determinante é a falta de valorização acerca das doenças psicopatológicas. Segundo o filósofo Francis Bacon: ‘’A consciência é a estrutura das virtudes’’. Conforme essa linha de raciocínio, nota-se que a falta de reconhecimento das doenças mentais gera uma sociedade com dificuldades para valorizar este problema de saúde pública. Dessa maneira, apesar de existirem centros públicos para a reversão dessas patologias como o CAPS- Centro de Atenção Psicossocial- a quantidade de unidades é insuficiente em todo o país e impossibilita a escassez dessa problemática. De acordo com a OMS a depressão é o 2 maior problema de saúde pública no mundo. Ratificando, portanto, a urgência de modificar essa estrutura social e utilizar a base que esses pensadores influentes forneceram-nos para a construção de uma sociedade ideal.
Infere-se, por fim, que as doenças mentais geram mazelas para o corpo social. Espera-se que o Estado- em parceria com as sedes administrativas das cidades- abranja as unidades de atendimento psicológicos nos municípios, através de atendimentos psicológicos em todos os hospitais e postos de saúde com a finalidade de diminuir os índices de casos relacionados a este impasse. Além disso, a mídia, juntamente com a OMS, deve fornecer campanhas publicitárias por meio de publicidades televisivas e internéticas visando a maior compreensão e mobilização da população no combate a esse aspecto. Assim, por meio do Estado, órgão legislativo e racional, e da mídia, agente de persuasão e consciência, é que conquistar-se-á melhores índices na diminuição deste estigma.