A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 13/10/2017

Desde o século XIX, a temática do pessimismo e da melancolia urgiam na poesia brasileira pela corrente literária denominada de Ultraromantismo. Influenciados pela Europa, o desgosto de viver e a inexistência de perspectivas para o futuro eram temas abordados. Já no século atual, tais emoções expressas na literatura adquiriram um novo diagnóstico de descobertas biológicas e psicológicas: depressão. Nesse contexto, torna-se necessária a discussão da banalização da linguagem especializada e a dificuldade de tornar acessível o tratamento das doenças mentais.

Em primeira análise, cabe pontuar que mesmo setores sociais considerarem tabu, a depressão e a bipolaridade estruturam-se banalizadas, principalmente entre os jovens. Vê-se, como exemplo, o uso informal de “depressivo” e “bipolar” na linguagem que qualifica e adjetiva pessoas, ou seja, a recorrente administração dessas palavras em situações que não insere-se o caráter da doença. Observa-se também em páginas do Facebook, “Diva da depressão” e “Escola da depressão”, entre outras. Dessa forma, a banalização da linguagem especializada entre os jovens que utilizam as redes sociais negligencia os transtornos e dificulta o reconhecimento real deles.

Em segunda análise, convém frisar que têm-se ainda o preconceito enraizado com pessoas que possuem doenças mentais, o que dificulta a assistência por parte de psicólogos e médicos, além do fator econômico. Segundo sociólogos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ainda permanece o estigma de que o tratamento psicológico é apenas para pessoas que encontram-se em estado de loucura, principalmente nas zonas afastadas dos centros urbanos. Outro ponto mencionado é o alto valor das consultas que não engloba setores marginalizados. Diante disso, a carência de tratamento adequado agrava a situação das doenças mundialmente.

Portanto, precisa-se debater as doenças mentais e o acesso à tratamento, como também a banalização delas. É imprescindível que aja orientação de psicólogos e psiquiatras nos centros educacionais ao trazerem pessoas que já vivenciaram depressão, bipolaridade, entre outras, afim de esclarecer aos adolescentes acerca da seriedade e a importância do acolhimento nas salas de aula. Além disso, é essencial que as universidades aperfeiçoem programas que inserem a população de baixa renda, como por exemplo, dimensionar um cálculo de 1% da renda bruta para destinar a consulta psicológica, e juntamente com o SUS fazer o encaminhamento da medicação.  Assim, se possuem medidas para que poesias como as do Ultraromantismo não sejam romantizadas na contemporaneidade.