A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 15/10/2017
Plenitude
A pauta da saúde mental está “engatinhando” no cotidiano brasileiro, mesmo que seja tratada com preconceito. Apesar de o cantor Renato Russo dizer que nada é fácil de entender, ainda assim tentam qualificar o vigor mental como uma “frescura” por parte do indivíduo, este que por vezes se sente incompleto. Diante disso, o Estado demonstra letargia em proteger e tratar essa população, enquanto parte da sociedade os tratam como empecilhos.
A priori, o debate sobre a saúde da mente humana foi depreciada pelo governo e pelos estamentos sociais. Embora, recentemente, o tema seja abordado por algumas mídias, como a série da Netflix “13 reasons why”, ainda assim, o pensamento predominante na sociedade é que a mazela mental é pieguice do indivíduo. Por conseguinte, são inúmeras as páginas em redes sociais voltadas para o humor do termo depressão, a exemplo da “Vestibular da Depressão”.
Outrossim, as políticas para a saúde mental no Brasil estão aquém do necessário. As unidades Caps (Centro de Atenção Psicossocial) espalhadas pelas cidades brasileiras foram um pequeno passo. Não obstante, a funcionalidade dos centros é comprometida pela falta de profissionais e medicamentos, além do curto horário de atendimento. Em contrapartida, a Holanda disponibiliza equipes para atendimentos domiciliares e intensivos para os tratamentos psicossociais.
Desse modo, é importante o debate que envolva a comunidade e o Estado no entendimento e tratamento de um distúrbio, em muitos casos, silencioso. Por isso, as mídias televisivas, com o aporte do erário, podem abordar o tema por meio de novelas e séries para elucidar a população de que as doenças mentais são sérias e perigosas. Dessa forma, o Estado deve disponibilizar canais para o atendimento especializado e uma unidade de pronto atendimento aos que sofrem dos distúrbios psiquiátricos. Ademais, a sociedade tem a obrigação de cobrar do poder Estatal medidas que viabilizem recursos terapêuticos, bem como ela precisa entender que as mazelas não são uma fraqueza pessoal. Por fim, é necessário que a política voltada à saúde mental passe a “correr” no cotidiano para que os brasileiros que sofrem desses problemas venham a ter plenitude.