A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 17/10/2017

Segundo Durkheim, “criador” da sociologia e psicólogo social a sociedade pode ser comparada com um “organismo vivo” porque apresenta mecanismos funcionais integrados. Desta forma, não é apenas a célula que se deve ser observada, mas sim todos os órgãos. Atualmente, não obstante, a banalização do coletivo construída tangencialmente ao capitalismo moderno atua como força motriz do aparecimento de psicopatologias que, infelizmente, ainda é um tema varrido para debaixo do tapete. Assim sendo, a integração do “organismo biológico” não acontece, gerando como consequência, não apenas índices de enfermidade alarmantes que são ofuscados, mas também um egocentrismo. Á vista disso cria-se a necessidade de debater a cerca desta problemática.

A priori, torna-se importante pontuar que o aumento dos problemas psíquicos é um fator histórico e circunstancial. Isso ocorre devido às mudanças socioculturais que surgiram no cenário da globalização e com a consolidação do modelo neoliberal. Diante deste quadro, seguindo conceitos do sociólogo polonês Zygmunt Bauman referentes à modernidade liquida, as relações sociais se tornaram mais supérfluas visto que a sociedade contemporânea está regida pela particularidade do eu. Consequentemente, com a ausência de profundidas estas geraram um vazio emotivo interno que leva a constância das doenças mentais.

Isto posto, fica evidente que o quadro do mundo atual é favorável ao surgimento de transtornos de ansiedade, distúrbios de pânico e depressão em um extrato social significativo, como ilustra os dados da Organização Mundial da Saúde, que mostram que no Brasil aproximadamente 20 milhões sofrem com tais disfunções. Mesmo diante desses dados, a saúde mental permanece estigmatizada no mundo uma vez que foi erroneamente categorizada como tabu. No entanto, o problema está em ignorar, pois é nesse silêncio que casos se agravam e pessoas deixam de buscar ajuda. Logo, torna-se indispensável “desrotular” as doenças mentais para que estas percam o seu poder perante a sociedade. Pode-se dizer, portanto, que é preciso falar abertamente sobre as psicopatologias e suas consequências.

Assim sendo, a escola, como instituição social reguladora, deve ministrar em parceria com psiquiatras, não apenas palestrar que falem acerca de distúrbios mentais e suas consequências, mas que também evidenciem como as relações interpessoais sólidas podem salvar vidas. Isso pode ser realizado com a ajuda da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) que aprimorará tal política pública. Só assim, poderemos salvar a nossa população.