A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 17/10/2017

De acordo com o antropólogo brasileiro Roberto DaMatta, antes de se virar uma página por completo é necessário um processo de releitura. Desse modo, para que determinada questão seja solucionada, é fundamental encontrar suas raízes e formular suas possíveis soluções. Observas a falta de debate sobre as doenças mentais e suas consequências para o indivíduo portador, é constatar que uma releitura tornou-se necessária. Nesse cenário, o atual quadro da problemática é fruto, principalmente do não comprometimento com o tratamento da pessoa com o distúrbio e da consolidação do modelo capitalista.

A priori, o aparecimento de psicopatologias não é um problema atual, visto que durante a segunda fase do romantismo, os autores já apontavam os sintomas como pessimismo, dor existencial, isolamento e o sentimento de impotência diante dos conflitos mundanos. Trazendo isso para o presente, a consolidação do modelo capitalista e a matematização do tempo, potencializa o sentimento de frustração que acomete a maioria das pessoas, e é uma das causas do aparecimento de transtornos mentais como a depressão, que pode levar ao suicídio caso não seja tratada. Ademais, tal condição completa a visão Determinista do século XXI, que diz que o homem é fruto do seu meio. Logo, se essas pressões impostas pela sociedade moderna não forem amenizadas, a saúde mental da população pode ser colocada em risco.

Outrossim, é válido salientar também que a ineficácia na gestão da saúde pública e a negligência no tratamento da pessoa com distúrbio acarreta no isolamento e na piora do quadro clínico do indivíduo. Tendo em vista que muitas pessoas ainda tratam essas doenças como tabu ou até mesmo como fraqueza  e falta de força de vontade. Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), O Brasil é o país com maior prevalência de depressão da América Latina e recordista em transtorno de ansiedade. Por esse ângulo, fica nítido que a população canarinha carece de avanços no que tange o tratamento desses transtornos e o contorno desse elevado índice de depressão, considerada o mal do século XXI pela neurociência.

Destarte, cabe ao governo em parceria com as universidades federais investir mais pesquisas que busquem abrandar essas doenças. Seja através de medicamentos ou de terapias e tratamentos psicológicos com profissionais qualificados. E junto com o Ministério da Saúde e as ONG’s criar projetos que deem apoio moral e psicológico as pessoas que sofrem desses transtornos. E por fim, peças publicitárias criadas pela SECOM e que promovam a reflexão sobre o cotidiano de quem sofre dessas doenças é outra medida cabível para completar o processo de releitura idealizado por DaMatta.