A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 21/10/2017

Na recém lançada série “Os treze porquês”, a protagonista sofre com a depressão e suicida-se devido às pressões e situações difíceis a que é submetida. Fora das telas essa é uma realidade mundial, dado o crescente número de diagnósticos de doenças mentais, tais como depressão, síndrome do pânico e esquizofrenia. Contudo, é preciso saber porque esses distúrbios ocorrem e porque há intolerância com relação a eles.

A priori, é indubitável para o conhecimento geral que há preconceito com quem sofre de transtornos mentais, não só por parte de outros indivíduos como pelo próprio doente, haja vista que há o medo frequente do julgamentos daqueles que se consideram mentalmente saudáveis. Com isso, torna-se evidente que as pessoas que possuem disfunções físicas tais como hipertensão ou diabetes não são vítimas de comentários maldosos com tanta frequência.

De acordo com o escritor Andrew Solomon, o oposto de depressão não é felicidade, mas sim vitalidade. O motivo do roubo dessa vitalidade pode ser feito a partir da análise da sociedade do século XXI pelo conceito do sociólogo Zygmunt Bauman: a modernidade líquida. Tal conceito refere-se às relações superficiais e à redução de contato dos indivíduos entre si, o que pode ocasionar o isolamento destes. Com isso, cria-se um extremo vazio emotivo.

A posteriori, a influência da mídia, cuja qual impõe arquétipos de comportamento, corpo e alimentação por meio de persuasão, pode aumentar os índices de depressão e ansiedade na população, principalmente nos jovens, os quais, geralmente, sentem-se deslocados desse padrão. Ademais, à proporção que há a crescente busca pelo sucesso, além da pressão feita em adolescentes para a obtenção de uma vaga em uma boa universidade e outros fatores, há também o aumento do uso de medicamentos, como por exemplo o Rivotril. Destarte, fica evidente que houve uma banalidade do uso de remédio.

Em vista do exposto, torna-se necessária a adoção de medidas para solucionar o impasse. O Ministério da Saúde deverá oferecer  serviços de atenção psicológica, fornecendo funcionários qualificados, além de estimular um tratamento baseado no diálogo para desconstruir a fragilidade das relações. Além disso, o  Ministério da educação deverá promover palestras de conscientização psicossocial, e as escolas deverão ofertar aos alunos consultas com psicólogos para que aja um desempenho escolar ainda melhor, motivando-os ao invés de pressioná-los. Os ambientes de trabalho também deverão oferecer espaços e momentos de descansos, nos quais será possível liberar o estresse diário. Com tais atitudes, a vida torna-se coesa e a resiliência se faz presente.