A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 29/11/2017

Doenças Mentais: Debater para Combater

Charles Darvin, com seus estudos na biologia, afirma que nem sempre é o mais forte que sobrevive, mas aquele que melhor se adapta as novas circunstâncias impostas. Tal constatação, permite reflexão sobre uma importante necessidade a que o Brasil enfrenta, que é o debate a cerca das doenças mentais. Nesse sentido, convém analisar aspectos históricos e culturais desta problemática.

Nise da Silveira, importante médica psiquiátrica brasileira que viveu entre os anos de 1905 a 1990 aproximadamente, lutou para que as doenças mentais tivessem uma abordagem mais respeitosa, bem como suas técnicas de tratamento se tornassem mais humanizadas e pela reinserção familiar e social dos pacientes diagnosticados com esses transtornos. Sem ela a segregação, as cadeiras elétricas e o preconceito persistiriam por ainda mais tempo na história da saúde mental brasileira.

Entretanto, se os tratamentos se modernizaram e passaram a ser mais humanos, por outro lado o preconceito continua como pilar de traços culturais. Embora, os diagnósticos psiquiátricos sejam bastante mencionados atualmente como depressão ou síndrome do pânico, por exemplo, muitas vezes se imprime uma conotação equivocada banalizando ou inferiorizando a real seriedade que está por traz de seu significado. A depressão ainda pode ser confundida com frescura por muitas pessoas e um indivíduo que apresente pânico pode ser apontado como fraco e preguiçoso. Além disso, o senso comum de que procurar uma psicoterapia ou um psiquiatra é “coisa de maluco” e a velada sensura social que ainda é endereçada, por alguns, às pessoas que admitem estarem recebendo esse tipo de ajuda especializada é uma triste realidade neste país e influencia as novas gerações, como bem disse Resseau (importante filósofo iluminista françês): “o homem nasce bom a sociedade que o corrompe”.

Há, portanto, a necessidade urgente de intervenção do Governo Federal, por meio do ministério da saúde em parceria com o MEC, de modo a implementar palestras para pais e alunos nas escolas brasileiras, ministradas por membros da equipes de saúde, em especial por psicólogos, a fim de  orientar sobre os vários tipos de transtornos mentais e seus sintomas, esclarecendo mitos e verdades inerentes ao problema, no sentido de reduzir o preconceito. Além disso, instituir equipes de psicólogos que acompanhem esses pais e alunos, por meio de grupos de convivência e por visitas periódicas - a exemplo da França que já proporciona esse serviço às famílias de alunos cometeram suicídio- de modo a identificar precocemente esse tipo de transtornos. Ademais, a mídia deve, com campanhas publicitárias e exposição em novelas, fomentar o compreensão e aceitação dessas doenças auxiliando na quebra desse tabu. Dessa forma,a adaptação de Darwin será mais justa e humanizada no Brasil.