A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 02/11/2017

“Olá, meu nome é Dory e eu sofro de perda de memória recente”. Nessa fala da personagem Dory presente em um dos filmes infantis de maior audiência da história, Procurando Nemo, fica nítida a demonstração das dificuldades que uma pessoas com doenças mentais possui no seu cotidiano. Todavia, não são apenas as complicações que são ressaltadas nesse clássico do cinema, mas, também, as formas de superação desses agravos mediadas pela ajuda dos amigos da ficcional mencionada, trazendo, assim, para nossa realidade a necessidade de analisar a importância do debate sobre as psico-enfermidades entre as pessoas próximas aos doentes.

A princípio, existe, atualmente, uma banalização das doenças mentais como depressão, bipolaridade e ansiedade entretanto, essas têm sido um dos mais incessantes males do século XXI. Segundo dados do Manual Merck de Informação Médica, cerca de 20% da população sofre, ou sofrerá em algum momento de sua vida, de alguma debilitação psicológica, situação essa preocupante, uma vez que essas anomalias não afetam apenas o âmbito mental do debilitado, assim como, sua capacidade de concentração, a qualidade do seu sono, a sua predisposição à se alimentar e a sua capacidade de cognição e memorização. Assim sendo, essas doenças não apenas deixam de serem banais, como se tornam grandes fontes de deterioração da saúde humana, uma vez que são capazes de aumentar a propensão a infartos, derrames e insuficiências respiratórias.

Outrossim, a falta da devida atenção à essas doenças não é o único fator que atrapalha no tratamento dos pacientes mas, também, a falta de informação e o abandono dos enfermos pelos seus familiares e amigos. “Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!”. A frase do grande psicanalista Sigmund Freud, deixa nítida a importância do amparo dessas pessoas em seu tratamento, contudo, vivemos uma realidade onde, cada vez mais, elas são isoladas da sociedade, seja sendo jogadas em clínicas de reabilitação ou simplesmente deixadas de lado por serem consideradas pessimistas e mórbidas. Desse modo, a falta de informação sobre a real condição do doente e como isso afeta seu comportamento acaba levando familiares e entes queridos a tomarem essas decisões equivocadas que, consequentemente, apenas agravam a situação do indivíduo.

Portanto, faz-se de suma importância a ampliação do sistema de informação sobre as doenças mentais, principalmente, para as pessoas próximas aos pacientes, para que eles possam lidar de maneira mais eficaz com essa situação. Sendo assim, os hospitais e clínicas especializadas devem incentivar a discussão sobre essa temática, promovendo a realização de palestras e debates, com a presença de psicólogos e psiquiatras, afim de melhorar todo o processo de tratamento do cidadão.