A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 28/01/2018

Simão Bacamarte, personagem de “O alienista”, encontrava indícios de desordem mental em pequenas situações cotidianas. A atitude do médico mostrava quão tênue é o limite entre as fragilidades individuais e a doença mental. Por conseguinte, na atual sociedade, líquida e severa, torna-se essencial dialogar sobre as patologias da mente, devido ao massivo desconhecimento e falta de humanização no que se refere ao assunto.

Mormente, o debate se faz necessário dado o preconceito advindo da ignorância a respeito de tais disfunções. Se o preceito Kantiano revela que a educação molda o homem, a ampla difusão desse tema poderia evitar o desprezo aos cidadãos com transtornos, bem como o diagnóstico ausente ou tardio de pessoas que só são assistidas quando a enfermidade se agrava.

Ademais, a cultura de maus tratos, disseminada pela atuação histórica dos manicômios, deve ser desconstruída nos âmbitos familiar e coletivo. Nessa perspectiva, a autora Daniela Arbex, em “O holocausto brasileiro”, relata a tortura a qual eram submetidos os pacientes do hospício de Barbacena. O descaso e isolamento era prática usual, todavia, retirar pensamentos análogos do senso comum ainda é um desafio para parcela da população.

Destarte, democratizar informações e sensibilizar os indivíduos são medidas imperativas. Cabe à mídia viabilizar o acesso ao conhecimento por meio de jornais, novelas e documentários capazes de familiarizar os espectadores com tal conteúdo. Tal ação permitiria divulgar os vários tipos de distúrbios e ajudar a identificá-los. Concomitantemente, cabe às instituições de ensino, junto a equipes de saúde, realizar ações comunitárias em escolas e associações, a fim de reconstruir a abordagem dada aos que sofrem com esses problemas. Nesse sentido, a educação poderia conduzir o corpo social a novas perspectivas de atenção e cuidado.