A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 28/02/2018
Simão Bacamarte, personagem de “O alienista”, encontrava indícios de desordem mental em pequenas situações cotidianas. A atitude do médico mostrava quão tênue é o limite entre as fragilidades individuais e as psicopatologias. Por conseguinte, na atual sociedade, líquida e intransigente, torna-se essencial dialogar sobre esse assunto, devido ao massivo desconhecimento e a falta de humanização existentes.
Em primeiro lugar, há um preconceito latente - advindo da ignorância a respeito de tais disfunções - que culmina em importante prejuízo social. As dificuldades enfrentadas no convívio coletivo, como a formação educacional, a oferta de emprego e a psicofobia são aspectos vivenciados pelos cidadãos com transtornos. Como o preceito kantiano revela que a educação molda o homem, esses fatos sociais mostram que ainda não há uma disseminação eficaz desse tema.
Ademais, a cultura de maus tratos, difundida pela atuação histórica dos manicômios, motivou a necessidade contemporânea de humanização no âmbito familiar e comunitário. Nessa perspectiva, a autora Daniela Arbex, em “O holocausto brasileiro” retrata como a tortura era comum em hospícios, a exemplo do hospício de Barbacena. Uma vez que o descaso e o isolamento eram condutas aceitas na sociedade, retirar pensamentos análogos do senso comum ainda é um desafio para parcela da população.
Destarte, democratizar informações e sensibilizar os indivíduos são medidas imperativas. Cabe à mídia viabilizar o acesso ao conhecimento por meio de jornais, novelas e documentários capazes de familiarizar os espectadores com esse conteúdo. Tal ação permitiria divulgar os vários tipos de distúrbios existentes, além de ajudar a identificá-los no cenário familiar. Concomitantemente, cabe às instituições de ensino, junto às equipes de saúde da família, realizar ações comunitárias em escolas e associações, a fim de estimular uma abordagem humanizada aos que sofrem com esse problema. Nesse sentido, a educação poderia conduzir o corpo social a novas perspectivas de atenção e cuidado.