A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 04/03/2018
Em 2013, o Ministério da Saúde lançou, em sua série de cadernos da atenção básica, um volume sobre saúde mental, com o objetivo de informar os profissionais de saúde e a população em geral. Tal medida adveio da necessidade de se discutir as doenças mentais, mesmo após décadas de luta antimanicomial. Com efeito, tais patologias ainda são negligenciadas pela sociedade e pelo poder público, o que deve ser desconstruído, sob riscos de prejuízo social.
Em primeiro lugar, ainda persiste um preconceito acerca desse assunto. A esse respeito, dificuldades na formação educacional, oferta de emprego e psicofobia são enfrentadas pelos cidadãos com transtornos. Essas são heranças culturais da geração ultrarromântica brasileira, que associava a depressão e o suicídio à fraqueza de caráter. Na atualidade, ainda há uma gama de psicopatologias rotuladas como problemas emocionais, fato que se torna contraditório à vigência da pós-modernidade.
Ademais, a abordagem ineficiente aos transtornos mentais é uma barreira para a solução desses problemas. Nesse sentido, apesar de a Constituição Federal garantir o acesso universal à saúde, não há divulgação suficiente das formas de tratamento pelo Sistema Único de Saúde. Dessa forma, ao apresentar os primeiros sintomas, o cidadão tende à automedicação, prática comum no cenário nacional. Em consequência, essa conduta é incapaz de sanar a situação, agravando-a.
É imperativo, portanto, que a sociedade e as instituições públicas atuem na minimização das fragilidades sociais relacionadas às psicopatologias. Cabe aos indivíduos realizar campanhas por meio das redes sociais, a fim de desconstruir o preconceito acerca das doenças mentais. O Ministério Público poderia promover ações judiciais com o fito de pressionar as instituições públicas a disseminarem os tipos de doenças, seus sintomas e as formas de tratamento disponíveis, bem como alertar sobre os riscos da automedicação. Desse modo, poder-se-á construir uma realidade mais justa e menos negligente.