A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 25/07/2018

No século XIX, acreditava-se que pessoas com doenças mentais estavam alienadas pela sua verdadeira natureza, por esse motivo, os médicos psiquiatras da época eram chamados de alienistas. Á vista disso, por séculos se evitou estudar devidamente os transtornos psicológicos por se acreditar que algo superior ao corpo humano os ocasionavam. Nesse sentido, atualmente a medicina moderna trouxe grandes avanços nessa área, entretanto, essas enfermidades ainda são negligenciada pelo corpo social, o qual demoniza ou destrata os casos, e o próprio Estado, que não oferece tratamento público, assim, abrindo espaço para se debater a temática.

Em primeiro plano, no Brasil, cerca de 23 milhões de pessoas apresentam algum tipo de doença mental, segundo G1. Apesar disso, existe uma dificuldade enorme em se encontrar amparo para esses distúrbios, visto que não há profissionais em redes públicas de saúde para oferecer o devido tratamento. Dessa maneira, percebe-se o desinteresse do Estado em proporcionar o bem-estar social, uma vez que doenças como esquizofrenia, depressão e ansiedade, além de prejudicar o próprio indivíduo, podem prejudicar terceiros de forma física ou psicológica. Além disso, essa atitude do país também acaba elitizando tratamentos, fazendo com que pequenos grupos sejam privilegiados pelo seu poder aquisitivo. Sendo assim, segundo sociólogo Kant, as pessoas não podem ser tratadas como coisas que tem valor, mas como seres que tem dignidade, isto é, não se pode dar oportunidade de tratamento a uma pessoa pelo seu poder monetário, mas pela virtude de ser um ser humano.

Ademais, essa passividade do Governo em não cuidar e conscientizar, acaba por refletir no comportamento da sociedade diante os transtornos psiquiátricos. Desse modo, a falta de informação acaba por demonizar e desmerecer esses quadros psíquicos na comunidade, ou seja, parte da população ainda não considera doenças mentais como doença e muitas vezes podem ser vista como corpo mole,frescura e em casos mais graves, podem até achar que algum “demônio” tomou o indivíduo.

Entende-se, portanto, que o Estado deve investir nas alas psiquiátricas em hospitais públicos para que esses indivíduos possam ser tratados sem distinção e, também, propagar informações sobre o tema para que sensibilize a sociedade e ajude familiares e doentes entenderem a problemática e procurarem ajuda. Dessa forma, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de investimento nas alas psiquiátricas, criar centros de ajuda e contratar profissionais que atendam a população e que orientem entre tratamento por medicação ou internação. Por fim, cabe à Secretaria de Comunicações, por intermédio das redes sociais e propagandas televisivas, informar a gravidade dessas doenças e a necessidade de tratamento, além de alertar sobre respeito que o assunto demanda.