A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 24/03/2018

O livro “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Goethe, é uma das associações mais antigas entre a mídia e o suicídio. Nele é contada a história de um rapaz que após passar por uma dolorosa desilusão amorosa decide acabar com sua própria vida. A vulnerabilidade mental na qual Werther se encontrava o levou a uma série de sofrimentos que resultaram em sua morte. Diante disso, é importante debater e despertar a consciência de todo tecido social a respeito da importância do cuidado da mente.

Em primeiro lugar, deve-se desmistificar a ideia de que todo indivíduo com alguma alteração cognitiva é louco e de que o lugar destes é no manicômio, além da fantasia em torno do uso de procedimentos de contenção física, como a camisa de força. Nesse sentido, cabe ressaltar que a falta de informação é um dos fatores agravantes que geram o preconceito com a classe psiquiátrica e a psicofobia, esse prejulgamento prejudica o tratamento das doenças, pois geralmente a procura acontece quando o problema já está na fase crônica, dificultando o diagnóstico precoce da doença, logo, algo bastante preocupante, visto que, os problemas neurológicos são tão comuns quanto os de ordem biológica.             Outrossim, segundo o Ministério da Saúde, 12% da população brasileira apresentam algum tipo de doença mental, entretanto, em meio ao crescimento dessas doenças, tais como a depressão, considerada pela Organização Mundial da Saúde como o “Mal do Século XXI”, vivemos uma realidade de banalização desses transtornos. Sob esse aspecto, são encontradas diversas páginas com fins humorísticos nas redes sociais, tais como, graduação da depressão, futebol da depressão e muitas outras, contudo, o uso coloquial e humorístico dessas doenças banaliza, faz com que percam a seriedade que eles merecem na vida das pessoas.

As doenças e transtornos mentais afetam milhões de pessoas em todo o mundo, portanto, devem ser debatidas e desmistificadas para combater o medo e o preconceito. Para isso, é necessário que o Estado invista na propagação de informações sobre o assunto, devem ser feitas palestras com profissionais da área, além de cartilhas e campanhas midiáticas de conscientização pontuando pontos como o tratamento de doenças mentais, a banalização e a psicofobia. Ademais, é necessário também que o Estado invista no CAPS (Centro de Ação Psicossocial) para aprimoramento das estruturas e dos profissionais possibilitando um melhor atendimento e esclarecimento de dúvidas. Temos que educar a sociedade a ter o mesmo respeito que há com o câncer também pelos distúrbios mentais, é preciso compreender melhor e respeitar mais.