A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos
Enviada em 06/06/2022
A série americana “Dr. House” apresenta o convívio de um médico, House, no meio hospitalar e sua relação com a própria mazela, uma condição muscular não tratada por vontade própria. Nesse sentido, o contexto do médico associa-se à uma problemática do meio hodierno, a ausência do cuidado masculino e, também, a necessidade da desconstrução deste tabu. Assim, vê-se o caráter maléfico da questão, motivada, primariamente, por uma herança histórica machista e que resulta na ameaça à saúde popular masculina.
Inicialmente, vale ressaltar a relação entre a temática e a raiz patriarcal no Brasil. Sob tal ótica, desde o período Colonial, notadamente devido à figura do Senhor de Engenho, a imagem masculina é enquadrada em um ideal cultural, que preza pela hombridade e pela masculinidade, e, consequentemente, cria um tabu em relação ao cuidado próprio, associado à feminilidade. Nesse âmbito, o homem é educado e criado em um ambiente que o leva à falta do cuidado pessoal naquilo que tange a saúde, como os exames de rotina e de próstata. Logo, vê-se que a questão atrela-se intimamente ao ideário popular.
Outrossim, a questão atrela-se ao risco à saúde do homem. Por esse ângulo, segundo dados da OMS, menos de 50% dos homens mundialmente realizam os exames urológicos recomendados e quase 10% não apresenta costumes higiênicos básicos, como escovar os dentes. Sob tal perspectiva, o grupo é geralmente mais suscetível à doenças, tanto pela falta de cuidado médico quanto pelo tardar a procurar auxílio, geralmente apenas quando são evidentes os sintomas das doenças. Assim, entende-se que a questão influencia o bem-estar social e fica clara a necessidade de mudanças.
Portanto, o tabu acerca dos cuidados masculinos deve ser desconstruído. Para tal, cabe ao Governo federal, em parceria com a Mídia, propagar, a partir de informes e propagandas, a importância do cuidado masculino e a essencial necessidade deste, de modo a gerar, a curto prazo, a conscientizaçao do público alvo e, por conseguinte, sua maior presença em hospitais e clínicas, auxiliando para reduzir a influência da questão. Desse modo, exemplos como o de House permanecem apenas na televisão.