A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos
Enviada em 25/06/2022
A partir da década de 1940, o modelo biofísico de medicina foi substituído pelo modelo biopsicossocial, que considera fatores sociais como causadores de doenças físicas. Sob esse aspecto, é possível relacionar a maior mortalidade entre os ho-mens em relação às mulheres à pressão exercida pelos padrões de masculinidade sobre esses indivíduos, o que acarreta danos individuais e coletivos. É cabível, por-tanto, analisar a causa dessa mazela de um ponto de vista sociológico, bem como suas consequências e uma possível medida que a solucione.
Inicialmente, é importante destacar o papel do patriarcalismo na ausência de autocuidado entre os homens. Para tal, é possível relacionar o conceito de “Masculinidade Tóxica”, um conjunto de características biopsicossociais que ditam padrões comportamentais entre indivíduos do sexo masculino e que coloca esses em posição de rebaixamento quando alguma fragilidade é exposta. Desse modo, grande parte da população masculina negligencia exames preventivos imprescindi-veis à saúde, como o exame de toque prostático, por relacioná-lo erroneamente ao sexo anal, imcompatível com o arquétipo de virilidade socialmente aceito.
Como consequência, há maior vulnerabilidade dessa parcela social pela detec-ção tardia de doenças, o que acarreta danos ao indivíduo e à coletividade. Para reforçar a ideia, o médico oncologista Drázio Varella diz que o sistema de saúde brasileiro é voltado ao tratamento de doenças, quando deveria ser focado em sua prevenção. Assim, é evidente que medidas devem ser tomadas para que esse obstáculo seja superado, sob a ótica de que, quando exames preventivos não são realizados, há sobrecarga do sistema de saúde pelos custos com tratamento, o que põe em risco o bem estar do paciente e da população como um todo.
Urge, por conseguinte, que o Governo Federal adote medidas para solucionar a mazela em questão. Para tal, ele pode agir por meio do Ministério da Saúde e criar campanhas que abordem não só a importância dos exames preventivos, como também os riscos que noções equivocadas de masculinidade apresentam para os cidadãos, a fim desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos e evitar que homens tenham um diagnóstico tardio de suas enfermidades, além de deter a sobrecarga do sistema de saúde brasileiro.