A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos
Enviada em 15/06/2022
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito à educação e a saúde como inerente a todo cidadão. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado adequadamente na prática ao observar o tabu acerca dos cuidados masculinos, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social crucial. Diante disso, cabe pontuar o negligenciamento estatal e o aspecto sociocultural como fomentadores da questão.
Nesse cenário, vale ressaltar a inoperância estatal à saúde masculina. Decerto, falta de programas que incentive ao cuidado masculino, juntamente com mais programas exibindo as consequências dessas atitudes é a realidade da política enfrentada no país, resultando nos diagnósticos tardios e na própria exclusão de uma parcela significativa da sociedade. Segundo o filósofo John Rawls, em sua obra “Uma Teoria da Justiça”, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores públicos, promovendo igualdade de oportunidades a todos os cidadãos. Sob essa óptica, torna-se evidente que o Brasil não é um exemplo do pensamento desse teórico, visto que, segundo dados do Ministério da Saúde 31% não fazem os exames de rotina e 70% não vai um urologista, tendo como efeito uma maior quantidade de casos de câncer de próstata e uma pior saúde à longo prazo, os submetendo à periferia da cidadania.
Ademais, é importante considerar o fator grupal. De acordo com o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa – ou seja, o diálogo – constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Nesse ínterim, a falta de estímulo ao debate a respeito do tabu relacionado ao cuidado masculino, todavia, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, ocasiona em uma sociedade que desconhece a grandeza do problema. Desse modo, a população masculina entende esse cuidado como se atingisse a sua masculinidade, fato causado pela cultural patriarcal e masculinidade frágil que traz consigo um homem que está sempre saudável e que não precisa se preocupar com ela. Nesse contexto, muitos homens deixam se cuidar e fazer o toque retal, haja vista que esse assunto é tratado com um certo preconceito. Destarte, discorrer a problemática é o primeiro passo para consolidação do progresso sociocultural.