A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos
Enviada em 21/06/2022
Desde os tempos antigos os homens são educados para terem uma identidade máscula e a serem fortes e resistentes. Nesse prisma, observa-se que esse com-portamento ditado pela sociedade vem prejudicando a saúde física e mental dos homens, os levando a falta de cuidados pessoais, como exames de rotina e cuida-dos com a aparência. Dito isso, destacam-se assim dois aspectos importantes: o tabu da sociedade quanto os cuidados do homem e a imposição da masculinida-de frágil.
Em primeira análise, evidencia-se que existem barreiras socioculturais que inviabi-lizam o acesso dos homens aos serviços da APS, barreiras que se ligam a essa construção da identidade máscula tóxica imposta pela sociedade que priva o ho-mem de cuidados essenciais. Sob essa ótica, cerca de 55% deles alegam não pro-curarem serviços de saúde por não verem necessidade, sendo que em escala mundial, para 8 mulheres, 15 homens cometem suicídio e cerca de 70% dos ho-mens não se previnem de doenças sérias como o câncer de próstata, segudo a OMS e o CTL. Dessa forma, nota-se o tabu sofrido sobre a normalização dos cui-dados da saúde masculina e seus malefícios.
Além disso, é notório que a masculinidade frágil é negativa, pois faz com que o ho-mem viva em constante aprovação e acaba descartando seus sentimentos e suas necessidades. Desse modo, a música do compositor brasileiro Tiago Iorc expõe uma crítica: Eu cuido para não ser muito sensível, homem não chora […] Aprendi a ser indestrutível. Consoante a isso, vê-se a negatividade dessa educação destina-da aos homens, que prejudica não só eles mas também gera a constelação de atitudes regressivas socialmente que reforçam a dominação da mulher pelo ho-mem, machismo, homofobia e violência.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham quebrar o tabu im-posto aos homens para que eles possam se cuidar sem medo. Dessa maneira, ca-be a OMS, fazer campanhas de coscientização por meio de propagantas governa-mentais a fim de que a informação seja alcançada e a saúde seja inserida no meio masculino. Somente assim, o quadro atual será revertido e o direito garantido na Constituição Federal será desfrutado por todos.