A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos
Enviada em 27/06/2022
A Sociedade Brasileira de Urologia calcula que, todo ano, pelo menos 1000 homens tenham o pênis amputado parcial ou integralmente, sendo o principal motivo a falta de higiene. Analogamente a isso, o que se observa na realidade contemporânea é a propagação de ideais regressivos e perigosos como a falta de higiene, de zelo pela saúde física e mental, entre homens, como se fossem sinônimo de virilidade. Esse cenário antagônico é fruto tanto da masculinidade tóxica que é altamente imposta e difundida entre homens desde a infância, quanto pela negligência estatal sobre o tema. Diante disso, é vital o debate sobre o tema.
Precipuamente, é fulcral pontuar a masculinidade frágil como uma promotora do problema. Segundo o Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica, ente 2015 e 2020, apenas 25% dos atendimentos à Atenção Primária à Saúde foram prestados a usuários masculinos. Partindo desse pressuposto, fica evidente que os números são preocupantes, já que a masculinidade frágil, que está ligada a uma tentativa de validação da virilidade, e rodeada de ideias machistas, nas quais o autocuidado deve ser evitado, por estar ligado a feminilidade, leva à uma eleva
ção na taxa de morbidade e adoecimento dessa parcela da população, colocando em risco todos ao seu redor e trazendo grandes prejuízos á saúde pública.
Ademais, é imperativo ressaltar que a dificuldade na desconstrução dos tabus acerca do autocuidado masculino deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que caibam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Seja pela falta de engajamento na criação e popularização de campanhas voltadas a doenças comuns dessa parcela da sociedade, seja pela ignoração do fato.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham estimular a desconstrução do tabu. Desse modo, cabe ao Ministério da Saúde, promover campanhas sobre a importância da higiene e exames preventivos, por meio das redes sociais, impulsionados por influencers populares, a fim de atingir, principalmente a parcela mais jovem, e encerrar essa problemática nas próximas gerações. Só assim a amputação de órgãos genitais por assépsia não será banal.