A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos
Enviada em 28/06/2022
No conto de fadas “A bela e a fera”, Gaston é representado por um homem forte, musculoso, galanteador e que não demonstra sensibilidade. O personagem representa a ideia de que homens são invencíveis. Em paralelo com a ficção, a temática se relaciona a imagem do “sexo forte”, construindo o tabu acerca dos cuidados masculinos. Nesse sentido, as barreiras socioculturais impostas pela sociedade e a omissão estatal figuram como causas pertinentes.
Nessa perspectiva, é necessário pontuar que o preconceito e machismo causam impactos na saúde do homem. Sob esse viés, o filósofo Zigmunt Bauman institui o conceito de “modernidade líquida”, em que as relações sociais são frágeis, como os líquidos. O conceito opõe-se ao conceito de modernidade sólida, quando as relações eram solidamente estabelecidas. Sob essa perspectiva, constata-se que grande parte da sociedade sofre influência da cultura da masculinidade em que o homem não pode ser fraco. O menino cresce ouvindo que o ser forte e inabalável não chora . Assim, enquanto não houver conscientização por parte da população machista, os homens permanecerão com resistência aos cuidados de sua saúde.
Ademais, a falta de políticas públicas de incentivo à saúde do homem pode agravar os cuidados masculinos. A esse respeito, o filósofo John Locke caracteriza-se como violação do “contrato social”, já que o Estado não está cumprindo o seu papel. Desse modo, devido à baixa atuação das autoridades, o sexo masculino não procura realizar controle e prevenção, buscando atendimento em sua maioria, no nível secundário e terciário. Por conseguinte, evidencia-se homens com altos índices de morbidade e mortalidade.
Portanto, a saúde do homem precisa ser uma realidade palpável. Para isso, convém ao Ministério da Educação junto ao Ministério da Saúde, promover conscientização da sociedade quanto à importância dos cuidados com a saúde masculina através de campanhas nas escolas e na mídia, para que seja construída desde à infância a cultura de cuidados. Somado a isso, o Governo deve ampliar os programas de saúde do homem, como o novembro azul, através de redes de atendimento móvel para que o acesso seja igualitário em toda rede de saúde. Assim o “contrato social” não será violado como afirma John Locke.