A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos

Enviada em 03/07/2022

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, existem fatos sociais normais e patológicos, sendo que estes últimos causam danos à sociedade. Nesse sentido, a existência de um tabu acerca dos cuidados masculinos é um fato social patológico. Sob esse viés, essa problemática é alardeada pela omissão estatal e pela desinformação.

Nesse panorama, o descaso do poder público é um imperioso incentivador da falta de habituação dos cuidados masculinos. Sob essa ótica, de acordo com o contratualista Thomas Hobbes, os indivíduos aceitam sair de seu estado de natureza para viverem em melhores condições, assinando o Contrato social. Contudo, esse acordo é violado no tecido social brasileiro, porque o meio regulador não oferece, na escola pública, necessárias informações sobre a necessidade do zelo masculino. Assim, a saúde pública tem sua qualidade dirimida pela escassez de um planejamento estratégico dos governantes, como projetos escolares de promoção do saber científico a homens.

Ademais, a exiguidade de informações corretas sobre a masculinidade é um notório empecilho à necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos. Nessa conjuntura, conforme dados do Insituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os homens vivem sete anos a menos que mulheres em média. Diante disso, esse dado comprova o quão criminoso é não haver uma campanha estatal de exames de saúde, porquanto evitaria altos custos para a comunidade, como um aumento de casos graves de câncer de próstata (comum em homens sob a égide da Organização Mundial da Saúde). Consequentemente, a desigualdade social é aprofundada em uma nação pouco igualitária.

Portanto, é mister que haja uma mudança de mentalidade sobre os cuidados masculinos. Sob essa perspectiva, o Ministério da Saúde deve investir em testes sobre moradores de ruas, do sexo masculino em sua maiora. Somado a isso, a sociedade civil, por intermédio do diálogo com profissionais da saúde, deve intensificar a destinação de recursos para projetos de alerta aos riscos de não cuidar do próprio bem-estar, como um abreviamento da vida, por meio do apoio popular, a fim de que haja uma mitigação associada à prevenção.