A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos

Enviada em 15/07/2022

Opressão, masculinidade tóxica, quietude verbal e emocional. Esses são conceitos que associados a determinados assuntos caracterizam o problema da desconstrução do tabu acerca dos cuidados masculinos na sociedade brasileira, uma vez que de acordo com o Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR), 70% dos homens não costumam ir ao urologista realizar seus exames de rotina. Nesse contexto, torna-se evidente como causas a lenta mudança na mentalidade social, bem como a formação familiar.

Sob essa ótica, as questões socioculturais caracterizam-se como um complexo dificultador. Nesse sentido, conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Nessa lógica, é possível perceber que a questão do tabu acerca dos cuidados masculinos é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social opressor e injusto, a tendência é adotar esse comportamento também, além disso, existe um conflito cultural entre os homens, esse de acharem que, ao fazer o toque retal da próstata, vão perder a masculinidade, e mesmo sabendo que o câncer de próstata é o mais comum que afeta os mesmos, alguns ainda se recusam a fazer, o que torna sua solução ainda mais complexa.

Ademais, outro ponto relevante nessa temática, é a contribuição da família. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Dessa maneira, o estímulo familiar, principalmente das esposas e dos filhos é de extrema importância para homens que não possuem o conhecimento necessário e não pretendem realizar o exame devido aos preconceitos estabelecidos pela sociedade, é preciso desmistificar a ideia de que o homem não precisa de cuidados e que deve aguentar a dor para mostrar força.

Por tudo isso, faz-se necessária uma intervenção pontual no problema. Logo, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com o governo do estado proporcione oficinas educativas relacionados ao exame de próstata, a serem desenvolvidas nas semanas culturais dos colégios estaduais e postos de sáude. Esses eventos podem contar com relatos de pessoas que passaram pela doença, a fim de elucidar a população e principalmente os homens sobre esse problema.