A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos
Enviada em 18/07/2022
O Ministério da Saúde aconselha que exames de rotina sejam executados frequentemente, em especial na população mais velha. Todavia, os cuidados com a saúde masculina ainda são vistos como um tabu, seja pela construção histórica ou pela vergonha de falar sobre o assunto. Dessa forma, essa realidade se deve à visão do homem como o pilar da família, em conjunto com a falta de normatividade em debater sobre o tema.
Primeiramente, destaca-se a percepção do gênero masculino como o mais forte e protetor da família. Desde o período paleolítico da raça humana, tem-se o homem como figura provedora, característica que se perpetuou no modelo social patriarcal no qual a sociedade foi baseada. Sob esse viés, ficar doente anularia as características supracitadas, deixando os patriarcas em situação de fragilidade. Consequentemente, evitando diagnósticos também são evitadas as mudanças na percepção já enraizada na sociedade, mantendo a aclamação do sexo masculino.
Ademais, a falta de discussão sobre o tema representa outro desafio. Segundo Habermas, sociólogo da Escola de Frankfurt, a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Contudo, a desinformação acerca dos cuidados masculinos gera receios em falar abertamente sobre o tema, e a tomada desse como um tabu reflete no comportamento dos homens, uma vez que, segundo pesquisas da faculdade de medicina de Minas Gerais, 50% deles nunca visitaram um urologista - médico que cuida da saúde pessoal masculina. Logo, sem a normalização do debate sobre a temática, é evidente que a problemática não será minimizada.
Portanto, é imprescindível que o poder público siga promovendo campanhas - a exemplo do Novembro Azul - que desconstruam a maneira de pensar quanto aos cuidados masculinos, realizando palestras em espaços públicos que levem informações aos indivíduos do sexo masculino, os incentivando a buscar melhorias em sua saúde. Só assim a recomendação do Ministério da Saúde poderá ser cumprida.