A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos

Enviada em 26/07/2022

As primeiras civilizações clássicas eram compostas por sistemas patriarcais em que o “páter” (pai, do grego) era considerado a autoridade hierarquicamente superior aos demais. No contexto contemporâneo, o patriarcalismo também continua como sistema mais explorado e, infelizmente, da maneira com que foi estruturado, originou uma cultura de aversão à expressão de vulnerabilidade masculina, de modo que prioriza aparências “inabaláveis” ao custo do bem-estar de homens e meninos. Nesse sentido, existe a evidente necessidade de reverter a situação pela desestigmatização e combate às consequências desse viés no Brasil.

Em uma perspectiva inicial, é importante entender como a influência da internalização de atitudes orientadas nessa lógica opressora é prejudicial desde a infância masculina. Sob essa ótica, a música “boys will be bugs” da banda inglesa “Cavetown” traz uma crítica ao convencional ditado inglês “boys will be boys”, (garotos serão garotos) usado para justificar comportamentos masculinos, como a noção que meninos não devem chorar ou que são naturalmente mais violentos. Em poucos termos, parte essencial do incentivo aos cuidados masculinos fisica e mentalmente é a desestigmatização desse raciocínio machista e ultrapassado.

Ademais, cabe fazer oposição também aos perpetuadores da naturalização desse tabu enquanto consequências dele. Nessa lógica, o livro “Fight Club”, do escritor norte-americano Chuck P., expõe a metáfora do culto à masculinidade a insalubridade sob a qual essa lógica é sustentada ao narrar a história do protagonista que, com a saúde mental prejudicada, internaliza e dissemina a cultura em questão. Logo, fica clara a necessidade de combater as consequências desse problema enquanto retroalimentadoras do estigma de cuidados masculinos.

Desse modo, medidas são necessárias para desconstruir esse tabu no Brasil. Portanto, é de responsabilidade do Ministério da Educação - principal instituição que regula o acesso dos brasileiros à educação e socialização -, por meio da instrução de ensino social de habilidades emocionais e incentivo ao autocuidado a todos os estudantes de maneira integral e desde a pré-escola, desconstruir os preconceitos que sustentam o estigma aos cuidados masculinos desde a infância. Assim, por fim, será possível promover o bem-estar e liberdade masculina no Brasil