A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos
Enviada em 29/07/2022
A sociedade brasileira contemporânea sofre um uma influência intensa do machismo, o qual, de maneira indireta, faz com que uma expressiva porcentagem dos brasileiros considere que cuidar da própria saúde seja desnecessário. Assim, muitos deles deixam de tomar as devidas precauções contra inúmeras doenças, fato que implica a degradação física dos homens em geral e que, portanto, evidencia a necessidade de incentivar esse contingente a quebrar o tabu relacionado aos cuidados masculinos.
Como principal razão de tal fenômeno, é possível apontar a noção retrógrada de que os homens são naturalmente resilientes e fortes, a qual promove atitudes como evitar tomar precauções e não procurar ajuda médica, dado que isso constituiria, supostamente, uma demonstração de fragilidade. Dessa forma, muitos deixam de realizar importantes exames, como evidenciado, por exemplo, por um estudo conduzido pelo Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica, o qual mostra que cerca de 70% dos homens não realizam exames para prevenção de câncer de próstata regularmente.
Assim, graves riscos de saúde são impostos sobre uma grande parcela da população masculina, visto que inúmeras comorbidades podem ser prevenidas ou facilmente curadas caso sejam detectadas em exames de rotina. Como exemplo, é possível voltar ao caso do exame de próstata, o qual, caso detecte sinais de câncer na glândula durante seus estágios iniciais, permite que o combate à doença possua grande eficiência, com uma chance de até 90% de cura, porcentagem que, no entanto, se reduz conforme o tempo até o diagnóstico inicial é estendido.
Dessa forma, tendo em vista os efeitos negativos impostos sobre a saúde de muitos homens, decorrentes de concepções retrógradas, é importante que o governo federal incentive esse contingente a realizar exames de rotina com regularidade. Isso pode ser feito por meio de campanhas televisivas, radiofônicas e digitais, as quais, além de divulgar a necessidade médica de tais procedimentos, deixem evidente ao público-alvo que cuidar da própria integridade física não representa sinal de fragilidade. Dessa forma, é possível combater o tabu relacionado às práticas em questão e, assim, promover a saúde pública dos brasileiros.