A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos

Enviada em 20/08/2022

De acordo com o antropólogo Claude Lévi-Strauss, o entendimento de uma sociedade pressupõe a compreensão dos seus pilares. No Brasil contemporâneo, o machismo estrutural se revela como um dos alicerces da problemática relacionada aos tabus acerca dos cuidados masculinos, os quais devem ser combatidos. Diante disso, há dois principais fatores que engendram esses obstáculos: a manutenção dos preconceitos socioculturais referentes à figura masculina e a precarização de políticas educacionais emancipacionistas.

Em primeiro lugar, é fulcral mencionar a relação entre as ideias pré-concebidas de uma sociedade e a indústria cultura nela vigente, conforme afirma o sociólogo Theodor Adorno. Nesse sentido, o produto do conjunto de manifestações culturais em um determinado espaço cria e mantém comportamentos que podem ser prejudiciais a um grupo social. Dessa forma, os cuidados masculinas relacionados à saúde, por exemplo, são margilizados em decorrência dos valores intrínsecos, porém equivocados, do Brasil, que atribuem históricamente a ideia de fragilidade aos homens que efetuam exames de rotina.

Outrossim, é indubitável ressaltar a importância de políticas educacionais que visam o combate aos preconceitos contemporâneos. Nesse âmbito, constata-se a inexistência de uma educação libertadora, assim como já abordado pelo sociólogo Paulo Freire. Dessa maneira, os cidadãos deixam de ser emancipados de crenças e ideias pré-concebidas que impactam a liberdade proposta pela conscientização em massa.

Portanto, para que os tabus acerca dos cuidados masculinos sejam atenuados é mister que o Ministério da Saúde promova campanhas educacionais que esclaraçam o sociedade sobre a importância do autocuidado. Para isso, deve-se criar conteúdos informativos por meio das redes sociais oficiais do governo federal e estadual, a fim de reduzir a problemática. Desse modo, mais um pilar prejudicial da sociedade brasileira será removido e substituído por valores culturais desassociados do machismo estrural.