A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos
Enviada em 06/08/2022
O quadro “O Grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude refletida no rosto de um personagem envolto por uma profunda atmosfera de desolação. Para além da obra, observa-se que na sociedade brasileira prevalece o desconforto produzido pelo tabu em relação aos cuidados masculinos. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a falta de zelo pela própria saúde.
A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa as baixas estatísticas em relação aos cuidados masculinos. Esse contexto de inoperância exemplifica a teorias das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descrevem como presentes, mas sem cumprirem sua função social. Sob essa ótica, devido à baixa atuação estatal, os poucos programas de saúde direcionados ao público masculino são insuficientes para inverter os indicadores de saúde masculina que, por exemplo, retratam o tempo de vida médio de sete anos a menos que a da população feminina.
Outrossim, é preciso apontar a falta de atenção com a própria saúde como fator que contribui para os tabus acerca do autocuidado. Posto isso, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, o câncer de próstata, por exemplo, é o segundo câncer mais comum entre os homens pois, por ser uma doença silenciosa no início, e os homens acima dos 45 anos não realizarem exames preventivos, boa parte dos casos é descoberto em fase mais avançada. Ademais, dados do Ministério da Saúde apontam que 30% dos homens não têm o hábito de ir ao médico e se descuidam em relação à alimentação, práticas de atividades físicas e prevenção de doenças.
Portanto, são necessárias medidas diante da falta de seriedade que essa temática tem sido tratada. Dessarte, a fim de desconstruir os tabus, é preciso que o Ministério da Saúde - por intermédio das secretarias municipais de saúde - realize uma força-tarefa enfatizando a importância do autocuidado e equipe as unidades de saúde locais para que acolham e proporcionem os atendimentos com exames e orientações necessárias. Espera-se, assim, uma mudança de paradigma em relação à saúde masculina e que os sofrimentos retratados pelo pintor delimitem-se, apenas, ao plano artístico.