A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos
Enviada em 17/08/2022
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6°, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, tal benefício não se tem evidenciado com ênfase, na prática, quando se observam os desafios do combate ao tabu dos cuidados masculinos na sociedade brasileira, dificultando, assim, a universalidade desse direito social tão importante. Diante dessa situação, faz-se necessária a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Nessa perspectiva, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para auxiliar no combate ao tabu dos cuidados masculinos na sociedade. Nesse sentido, é importante salientar que diversos são os impactos gerados pelo tabu da saúde masculina na sociedade brasileira: altas taxas de mortalidade masculina, menor expectativa de vida em comparação com o sexo oposto, adolescentes do sexo masculino sem acompanhamento médico básico, entre outros.Essa situação, segundo os ideais do filósofo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que lamentavelmente é evidente no Brasil.
Além disso, é importante ressaltar que as causas de mortalidade nos homens devido ao câncer, cerca de 13% foram da próstata, segundo o Inca(Instituto Nacional de Câncer José Alencar da Silva).Esse cenário demonstra o preconceito histórico-cultural em relação ao autocuidado masculino, associado indevidamente à violação de sua sexualidade. Logo, é inadmissível que esse cenário continue sendo uma realidade brasileira.
Percebe-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é
imprescindível que o governo federal,esfera de maior poder nacional, por meio da criação de políticas públicas, direcione verbas para a criação de órgãos especializados no incentivo ao autocuidado masculino, a fim de melhorar os índices da saúde brasileira. Assim, consolidar-se-á uma sociedade mais empática, na qual o estado desempenha corretamente seu “contrato social”, como afirma John Locke.