A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos
Enviada em 05/09/2022
No clássico literário “A Bela e a Fera”, é retratada a vida do antagonista Gaston, caracterizado pelo seu comportamento viril e brutal. Analogamente, no Brasil, essa personalidade é tratada tal qual modelo ideal e corrobora a perpetuação de tabus acerca dos cuidados masculinos. Diante desse cenário, torna-se fulcral debater o machismo enraizado e a inobservância estatal como fomentadores da questão supracitada.
Sob esse viés, a raiz histórica da misogina é prejudicial à saúde masculina. Nessa perspectiva, no século XIX, o Romantismo propagou amplamente o ideário de que a perfeição do homem estava atrelada à força e à insensibilidade. No tocante a essa lógica, a normalização desse conceito desencoraja a busca por tratamentos salutares, uma vez que esses são relacionados à fragilidade. Por conseguinte, o desejo incessante de respaldar os estereótipos disseminados socialmente - no objetivo de conservar a posição de patrono da família - leva-os a reproduzirem uma falsa vitalidade e resistência; dessa forma, sobrevêm as doenças e a expectativa de vida desse grupo tende a reduzir. Portanto, é imperiosa a reversão desse panorama.
Ademais, nota-se que a negligência do Estado tem papel fundamental na imprudência de homens relativa ao próprio bem-estar. Sob essa óptica, em 1988, a promulgação da Constituição Cidadã garantiu ao povo brasileiro o direito à saúde e à educação. No entanto, é evidenciada a fragilidade desse estatuto, tendo em vista que a carência de uma ação pública eficaz, alicerçada à lacuna educacional, colabora para a omissão desses indivíduos acerca de seus cuidados. Sendo assim, ao serem alocados em uma posição de risco, eles são cerceados de suas garantias inalienáveis. Destarte, é indispensável a modificação dessa postura governamental.
Isso posto