A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos

Enviada em 07/09/2022

Em 2021, uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) constatou que, enquanto garotas entre as idades de 13 e 17 anos tendem a buscar atendimento ginecológico, o número de garotos da mesma faixa etária que buscam consultas com um urologista chega a ser 20 vezes menor. Por consequência, a frequência com que homens vem a desenvolver complicações, como o câncer de próstata, tende a aumentar drasticamente em razão da negligência masculina quanto a própria saúde.

Apesar de implicitamente, a cultura machista imposta pela sociedade durante séculos tem grande culpa na repressão de comportamentos relacionados ao cuidado pessoal, já que estes estão relacionados à fragilidade feminina. Ademais, a homofobia, ligada diretamente a misoginia, faz com que, uma vez que ocorra qualquer contato físico de um homem com outro do mesmo sexo, mesmo este sendo um profissional da saúde, é tido como impróprio por aqueles que acreditam que ser homossexual é algo hediondo.

Em virtude destes tabus, de acordo com o Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR), cerca de 70% dos homens não fazem seus exames de rotina da forma devida. Dessa forma, segundo a SBU, estima-se que, anualmente, mais de 65 mil homens sejam diagnosticaos com câncer de próstata. Contanto que a neoplasia seja identificada em estágio inicial, as chances de cura chegam a 90%. Porém, com a pouca frequência de homens que se preocupam com sua saúde sexual e genital, os casos em estágios iniciais são dificilmente diagnosticados a tempo.

Diante dessa realidade, urge a necessidade de intervenção mais intensiva do Estado, por meio de campanhas publicitárias rigorosas de fácil acesso à população, como redes sociais, rádio ou televisão, para que homens compreendam a dimensão da importância de comparecer em consultas médicas e preocupar-se com a própria saúde, afim de previnir doenças gravíssimas, como doenças sexualmente transmissíveis ou câncer.