A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos

Enviada em 13/10/2022

O cuidado com a saúde é essencial para a manutenção da estabilidade do indiví-duo e da sociedade, sendo um dos grandes focos nas áreas de pesquisas do ramo. Em contraste com as inúmeras inovações tecnológicas que contribuíram para o au-mento da expectativa de vida, os preconceitos estruturais tornam-se obstáculos no cuidado da saúde masculina. Com isso em vista, um estudo acerca das motivações para esse fator, além de uma análise das consequências deste, torna-se fulcral.

Deve-se destacar, primeiramente, os fatores sociais que alimentam a crença de que a parcela masculina seja menos dependente dos cuidados com a saúde. De acordo com Andrea Torres, psicóloga do Instituto do Coração, a ideia de que os homens precisam zelar por sua saúde é ainda recente, contrastando com o gênero oposto, que é ensinado a prezar pelo controle e prevenção já há muitas décadas. Em muitos casos, os homens acreditam que nunca ficam doentes ou até mesmo temem descobrir alguma doença, crendo que adquirir um cuidado com a preven-ção poderá ferir sua imagem de cuidador da família.

Em segunda instância, uma análise das consequências dessa ausência de cuida-do torna-se necessária. Com base nos dados fornecidos pelo Instituto Oswaldo Cruz, os homens morrem mais cedo que as mulheres e de doenças que poderiam ser prevenidas, como acidentes vasculares, infartos, cânceres e doenças no apare-lho disgestivo. Tais dados tornam-se alarmantes ao se analisar o investimento em pesquisas de prevenção e inovações para essa área, demonstrando que o tabu so-bre o cuidado masculino ainda prevalece sobre a informação e a ciência.

Portanto, é fulcral, diante dos fatos supracitados, a formulação de medidas para amenizar a problemática. O ministério da Saúde deve, por meio do auxílio dos meios de comunicação em massa, intensificar as campanhas de cuidado com a saúde masculina, tornando a prevenção e controle de doenças na parcela masculina uma pauta integral de seu projeto, para que, dessa maneira, a circulação de informação possa conter o problema. Paralelamente, O Ministério da Educação deve propor o combate aos preconceitos que inviabilizam o cuidado da saúde no futuro, começando pela parcela base da pirâmide social, as crianças.