A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos

Enviada em 20/10/2022

Durante o chamado “novembro azul”, expande-se o debate a respeito do juízo e prevenção contra o câncer de próstata, doença letal que acomete pessoas do sexo masculino. No entanto, a necessidade da escolha de um período do ano para fortalecer tal discussão exibe uma problemática, não restrita ao Brasil: o tabu a respeito de cuidados corporais masculinos. Nesse contexto, deve-se analisar as suas causas, como a desinformação e a cultura sexista, as quais submetem comportamentos negligenciadores à saúde de tal grupo social.

Convém, primeiramente, destacar a carência de discussões amplas sobre o tema. Sob a ótica de Gilberto Dimenstein, renomado jornalista brasileiro, só há opção quando se possui informação. Como ilustra o autor, ainda que seja importante a criação do “novembro azul”, tal pauta de higiene e cuidados masculinos não é amplamente divulgada, o que dificulta a tomada de consciência da população sobre seus riscos ao corpo humano. Dessa maneira, tal ignorância explica o fato de somente 31% dos homens decidirem comparecer a exames de rotina, como explica uma pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz.

Além disso, os papéis pautados pelo gênero imprimem dificuldades na resolução desse problema. Isso acontece associado a crítica tecida por Simone de Beauvoir, que demosntra como comportamentos e atos femininos são vistos como inferiores, em “O Segundo Sexo”. Analogamente, é notável que a preocupação com a própria saúde é enxergada exclusivamente a tais práticas das mulheres, as quais, uma vez práticadas por homens, reduziriam sua masculinidade e superioridade. Por isso, desvincular cuidados pessoais essenciais a meros caprichos é fundamental para previnir os enfermos masculinos.

Em suma, fica clara a resposta que esse cenário nos requer. Cabe a mídia, grande responsável por conscientizar a população, informar e tecer questionamentos acerca do tabu relacionado aos cuidados corporais dos homens. Isso pode ser feito por meio de programas de televisão ou matérias jornalísticas, visando gerar o interesse masculino em cuidar de si mesmos. Talvez, assim, a relevância do “novembro azul” em introduzir tal tema diminua gradualmente.