A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos
Enviada em 09/11/2022
No século XX, houve a eclosão da Revolta da Vacina, que foi a reação dos populares cariocas diante da imposição da imunização obrigatória contra a varíola, devido aos conceitos preconcebidos pelos civis em relação à segurança do processo vacinal. De maneira análoga a isso, observa-se a persistência do preconceito, sobretudo entre os homens, quando se trata de saúde, o que, portanto, evidencia a necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: a interferência negativa da mídia e naturalização do comportamento inadequado pela sociedade.
Em primeira análise, evidencia-se a construção de uma figura masculina irreal por parte dos meios de comunicação. Sob essa ótica, o sociólogo francês Pierre Bordieu, em seu conceito de “Habitus”, reafirma a influência de agências sociais, como os veículos de comunicação, na formação de pensamentos e comportamentos da sociedade. Dessa forma, a criação do homem “ideal”, que é o bruto e insensível, gera não só diversos problemas emocionais para o indivíduo, mas também a negação de processos médicos essenciais, como o exame de próstata, o que implica no aumento expressivo do número de doenças no referido órgão.
Além disso, é notória a naturalização do comportamento irresponsável do sujeito pela sociedade. Desse modo, o filósofo espanhol Adolfo Vázquez explica que o aumento da frequência de ocorrência de um fato resulta na sua aceitação pelo corpo social. Consoante a isso, pelo número cada vez maior de homens negligentes com os cuidados médicos há a tendência da comunidade em incorporar tal circunstância à sua identidade cultural, o que contribui para a solidificação do tabu e o aumento da dificuldade para desconstruí-lo.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham retrair o avanço da situação adversa. Dessa maneira, cabe ao Governo Federal, por meio de articulação entre o Ministério das Comunicações e os principais veículos midiáticos, promover propagandas pontuais de conscientização, afim de que haja a formação do senso crítico e a consequente desconstrução do tabu. Somente assim, o preconceito persistente desde a Revolta da Vacina não mais será uma realidade.