A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos

Enviada em 31/10/2023

“Não se nasce mulher, torna-se mulher”, disse Simone de Beauvoir em seu livro “O Segundo Sexo”. Da mesma forma, não se nasce homem, torna-se homem. Considerendo isso, ainda no tempo vigente é necessária a pauta sobre a desconstrução do tabu acerca dos cuidados masculinos. Dessa maneira é possível aferir ao óbice a construção machista imposta sobre o imagético popular quanto ao que é um exemplar do gênero masculino e à ainda não aceitação dos conceitos feministas sobre igualdade de gênero como os principais causadores de tal.

Nessa linha de raciocínio, é importante entender que essencialmente, a concepção do tipo ideal da figura masculina é distorcida em prol de exaltá-la em detrimento da feminina, entretanto, tal distorção é negativa para ambos os lados. Isso porque, para que essa se sobressaia a esta é necessário que seja criado um padrão inatingível para o comportamento de um homem. Em outras palavras, é construida a concepção que homens não devem chorar, pedir ajuda, cuidar de seus corpos e quaisquer outras atitudes geralmente relacionadas ao gênero feminino.

Sendo assim, é esse sentido que leva à atual condição de descaso generalizado contra a saúde dos homens, seja mental ou física. O preconceito referente ao entendimento de que certos cuidados são exclusivos para mulheres, como o atendimento psicológico, é a maior razão pela ainda grande lacuna de desigualdade. Prova da situação é o indicativo de que mais de sessenta por cento dos casos de suicídio no mundo é cometido por homens, de acordo com o Ministério da Saúde. Isso indica que, apesar do rompimento de muitas barreiras, o estigma contra a proximidade dos dois gêneros ainda assombra a sociedade.

Dito isso, para reverter a situação, do descaso contra a saúde masculina, as escolas acrescentarão como matéria da grade curricular a desconstrução do conceito de gênero com atividades lúdicas e acompanhamento psicológico, para que desde novas as crianças entendam que elas não devem se apegar aos papeis atribuidos a tais convenções sociais. Além disso, as grandes mídias junto de nomes influentes no assunto, promoverão campanhas de aceitação ao cuidado masculino, com propagandas, filmes, séries e etc. Assim, diminuindo a lacuna apresentada.