A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos
Enviada em 04/08/2024
Durkheim defendia que a sociedade prevalece coercitivamente sobre o indivíduo. Nesse sentido, a globalização conectou os jovens a múltiplos pontos de vista desde cedo e possibilitou uma mentalidade aberta à inclusão. No entanto, um histórico de dominação patriarcal, em contraposto à ascensão da mídia como um Quarto Poder, fez com que os cuidados masculinos sejam abordados como um tabu. Dessa forma, as pressões sociais continuam colocam em risco a saúde e o bem-estar desse grupo.
Sob esse viés, deve-se considerar o impacto de estigmas sociais.Nessa conjuntura, em uma sociedade patriarcal, foi construído um ideal de masculinidade que associa força, independência e invulnerabilidade aos homens.Por consequêcia, essa conduta, repassada culturalmente por séculos, construiu uma “masculinidade frágil”, em que qualquer comportamento fora do padrão é julgado.De fato, uma pesquisa realizada pelo IUCR revelou que 70% dos homens não realizam exames de rotina com um urologista. Logo, a influência coercitiva da sociedade molda expectativas contraditórias opostas à segurança da parcela masculina.
Ademais, cabe destacar o estigma fruto a lógica contemporânea. Isso posto, a Geração Z, nascidos entre 1997 e 2012, é um grupo que usufruiu do acesso à tecnologia desde o nascimento e, portanto, conectados a informações, pessoas e eventos de forma quase instantânea. Nesse contexto, a postura masculina sobre os cuidados com a saúde frequentemente reflete a abordagem inconstante, rasa e volátil adotada nas mídias por esse grupo. Assim, mesmo com o potencial de promover a abertura aos cuidados pessoais, a superficialidade dessas trocas, no fim, dificultou a adoção de práticas de autocuidado consistentes e sustentáveis.
Torna-se evidente,portanto,que a desconstrução dos preconceitos relacionados aos cuidados masculinos apresenta entraves que devem ser revertidos.Para tal, o MEC, órgão responsável pela gestão de um aparato educacional de qualidade, deve introduzir nas escolas, desde os anos iniciais, atividades que promovam igualdade de gênero focadas no cuidado pessoal masculino. Destarte, por meio de apoio multimodal,como palestras,workshops e ativades interativas,visando promover uma cultura que o bem-estar de todos os gêneros seja plenamente desmistificado.