A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos

Enviada em 17/08/2025

A Sociedade Brasileira de Urologia alerta que apenas 4 a cada 10 homens elegíveis fizeram o exame de câncer de próstata, mesmo que a expectativa seja para que o número de casos dobre até 2040. Diante desse cenário, é necessário desconstruir os tabus acerca dos cuidados masculinos, pois eles não apenas perpetuam o machismo estrutural, como também comprometem o bem-estar da população masculina.

Primeiramente, o tabu em torno dos cuidados masculinos é resultado do machismo estrutural que permeia a sociedade. Desde a infância, meninos são ensinados a reprimir emoções, evitar afeto e rejeitar práticas de autocuidado, como ir ao médico ou cuidar da aparência. Essa construção social reforça a ideia de que o homem deve ser resistente e autossuficiente, o que limita sua liberdade e saúde. Sob esse viés, Albert Einstein alerta que é mais fácil desconstruir um átomo do que um preconceito, evidenciando a profundidade e a rigidez desses estigmas, que se perpetuam mesmo diante de evidências dos danos que causam.

Além de prejudicar os próprios homens, esse preconceito afeta a sociedade na totalidade, ao contribuir para o adoecimento da população masculina. Muitos homens evitam buscar ajuda médica ou psicológica, o que resulta em diagnósticos tardios, maior incidência de doenças graves e altos índices de suicídio. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, desde 2015, os homens representam a maioria dos casos de suicídio no mundo, justamente por não encontrarem espaços seguros para expressar suas vulnerabilidades. Esse cenário evidencia que o tabu não é apenas uma questão individual, mas um problema de saúde pública que exige atenção urgente.

Portanto, o Ministério da Saúde deve criar campanhas educativas em escolas, com linguagem acessível, que incentivem o autocuidado masculino e capacitar profissionais para acolher homens sem julgamentos, oferecendo escuta qualificada. Essas ações devem priorizar regiões com altos índices de adoecimento. Assim, o cuidado será reconhecido como direito, não como ameaça à masculinidade.