A negligência em relação à saúde masculina no Brasil

Enviada em 07/11/2025

A negligência em relação à saúde masculina no Brasil configura um grave problema de saúde pública, caracterizado pela baixa procura dos homens por serviços de atenção primária e pela resistência em adotar práticas preventivas. Essa atitude, enraizada em fatores socioculturais, resulta em maior morbidade, mortalidade precoce e sobrecarga para o sistema de saúde.

Um dos principais motivadores dessa negligência é a masculinidade tóxica predominante na cultura brasileira. O ideário de que o homem é invulnerável, forte e que “não sente dor” cria uma barreira atitudinal que impede a busca por auxílio médico, especialmente para questões preventivas ou de saúde mental. A visita ao médico é frequentemente associada à fraqueza, o que leva à diagnóstico tardio de doenças graves como câncer de próstata ou hipertensão.

Além disso, a estrutura dos serviços de saúde muitas vezes falha em se adequar ao perfil masculino. Os horários de atendimento das Unidades Básicas de Saúde (UBS) frequentemente coincidem com o expediente de trabalho, dificultando a presença dos homens. A ausência de campanhas e programas específicos que abordem as necessidades masculinas com linguagem e foco adequados agrava a situação, reforçando a percepção de que a saúde é um tema predominantemente feminino.

Portanto, para reverter esse quadro, é imperativo que o Ministério da Saúde promova políticas de saúde direcionadas. É crucial flexibilizar os horários de atendimento das UBS, oferecendo opções noturnas ou aos sábados, para facilitar o acesso. Paralelamente, devem ser lançadas campanhas de conscientização que desmistifiquem a fragilidade e reforcem a importância do autocuidado e da prevenção, estimulando os homens a serem ativos na gestão da própria saúde.