A negligência em relação à saúde masculina no Brasil

Enviada em 19/02/2026

De acordo com a Agenda 2030 da ONU, que reúne os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, é dever das nações garantir uma vida saudável e promover o bem-estar para todos. Porém, esse objetivo é um desafio para o Brasil, já que a negligência em relação à saúde é uma realidade intrínseca entre grande parte dos homens brasileiros, agravando doenças preveníveis e elevando a mortalidade masculina. Para efetivar o objetivo da ONU, faz-se necessário analisar os principais problemas que afetam essa questão.

Sob esse viés, a falta de convergência social sustenta o descuido com a saúde masculina, pois a fragmentação entre os agentes sociais impede uma atuação eficaz. Segundo Boaventura de Sousa Santos, é necessário diálogo entre diferentes setores da sociedade para construir soluções efetivas, conceito definido pelo autor como “ecologia dos saberes”. No entanto, isso não ocorre em relação à busca por acompanhamento médico entre os homens, contribuindo para desigualdade no acesso a cuidados preventivos e reforçando a vulnerabilidade desse grupo diante de enfermidades evitáveis, evidenciando o desafio de implementar a ecologia dos saberes.

Além disso, a invisibilidade institucional mantém a negligência governamental, especialmente em periferias e zonas rurais. Essa omissão remete a Cecília Meireles, que afirma que existem formas de silêncio que representam descaso. De fato, tal abandono estatal perpetua o descuido com a saúde do homem, mantendo inúmeros indivíduos afastados de direitos básicos, como prevê o silêncio descrito por Meireles.

Portanto, para combater a negligência em relação à saúde masculina, o governo federal deve implementar campanhas educativas sobre prevenção e autocuidado, por meio de mídias e programas em escolas e unidades de saúde, promovendo a convergência social necessária. Paralelamente, o Ministério da Saúde precisa ampliar o acesso a serviços de saúde masculinos, com horários estendidos e unidades móveis, especialmente em periferias e zonas rurais, rompendo o silêncio criticado por Cecília Meireles. Assim, será possível aplicar na prática o que propõem Boaventura de Sousa Santos e a Agenda 2030 da ONU.