A negligência em relação à saúde masculina no Brasil

Enviada em 26/04/2024

Na série de TV “Breaking Bad”, o protagonista, Walter White, após ir ao médico, descobre ter câncer de pulmão e inicia um tratamento severo para a doença. Fora da ficção, na contemporaneidade brasileira, grande parte dos homens não tem o hábito de realizar consultas médicas . Isso se deve, muitas vezes, ao “tabu” atrelado a certas doenças, e acaba por dificultar a detecção precoce da enfermidade.

A princípio, cabe destacar que patologias associadas ao sexo masculino são tratadas como tópicos sensíveis na sociedade. No seriado “Eu, a patroa e as crianças”, por exemplo, em um dos episódios, o personagem Michael Kyle demonstra bastante relutância em realizar o exame de próstata, por temer que isto pudesse “ferir” sua masculinidade. Paralelamente a isso, no Brasil, muitos homens apresentam o mesmo receio de Michael, o que está atrelado ao ideal masculino imposto pela sociedade. Logo, tem-se que o machismo, histórico e socialmente construído, gera um padrão de pensamento que causa grande apreensão em realizar certos exames, ou mesmo em cuidar da saúde como um todo.

Consequentemente, é constatado um atraso no diagnóstico e tratamento de doenças que acometem os homens. Segundo dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade do MS, de 2019 a 2021, mais de 47 mil homens foram a óbito devido ao câncer de próstata, o que revela uma falta de abordagem do assunto no cenário brasileiro, já que esse tipo de tumor pode ser prevenido com um estilo de vida mais saudável e, também, tem maiores chances de cura caso descoberto com antecedência, o que poderia ser proporcionado através de exames regulares.

Portanto, é preciso que medidas sejam tomadas para que a saúde masculina deixe de ser um “tabu” no Brasil e se torne uma prioridade. Para que as informações acerca do bem-estar masculino alcancem mais pessoas e auxiliem na prevenção de doenças, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com veículos de mídia, promova, por meio de investimentos por parte do governo, campanhas publicitárias que abordem o assunto de forma didática, combatendo o estigma e estimulando os homens a realizarem exames médicos regularmente. Somente assim, será possível que mais pessoas obtenham tratamento, assim como Walter.