A negligência em relação à saúde masculina no Brasil
Enviada em 26/04/2024
Na obra Memórias Póstuma de Brás Cubas de Machado de Assis, o personagem principal, Brás, ao fim de sua vida, visa criar um remédio que seja a cura de todas as doenças da humanidade. Analogamente, os homens da sociedade contemporânea, somente optam em buscar ajuda especializada quando já se encontram em estados críticos de mal-estar. Ou seja, o cidadão brasileiro negligência o autocuidado até o limite, tal atitude é enraizada por dois expoentes: o machismo histórico-cultural e a ineficiência estatal em campanhas de prevenção.
Primeiramente, é crucial destacar que a figura masculina acompanha um legado de preconceito motivado pelo papel do homem pós-século XVIII, este que consiste no cerne do descaso com a autopreservação. Émile Durkheim, sociólogo do século XIX, apresentou em suas obras o conceito de instituição Social, isto é, as formas de organizações da sociedade, ou seja, a família, a escola, o Estado e dentre outras. Logo, para uma desconstrução da masculinidade tóxica, é preciso que as organizações as quais compõem a vida do cidadão, principalmente o Estado, combatam o histórico de indiferença em relação ao cuidado com o bem-estar.
Ademais, o Brasil não possui eficiência na divulgação de campanhas de prevenção. Assim como é apontado pelos dados da Sociedade Brasileira de Urologia, em que cerca de 3 a cada 10 homens entre 40 e 70 anos realizaram o teste necessário para avaliar a possibilidade do câncer de próstata. Acerca disso, advêm a falta de debates sobre a importância de cuidado com a saúde, os quais é dever do país fomentar. Logo, é papel das Instituições estimular discussões, em prol de melhorar a expectativa de vida no país, a qual é diferente drasticamente para homens e mulheres atualmente, no qual as cidadãs possuem cerca de 7 anos a mais, segundo pesquisa do IBGE.
Portanto, o Estado, a fim de aumentar a qualidade de vida na sua nação, deve investir em estratégias de publicidade e debates acerca da necessidade do cuidado com a saúde masculina. Isto é, através do Ministério da Educação, criar projetos que fomentem este debate, em conjunto com propagandas nas mídias sociais. Somente assim, haverá uma sociedade que se previne, antes de buscar uma cura, que muitas vezes pode ser inalcançada.