A negligência em relação à saúde masculina no Brasil

Enviada em 27/04/2024

A Declaração Universal de Direitos Humanos - promulgada pela ONU - afirma que todos os indivíduos têm direito ao bem-estar, à saúde e à cuidados médicos. No entanto, os desafios enfrentados quanto à negligência em relação à saúde masculina, no Brasil, tornaram-se empecilhos para a plena efetivação de tais direitos. Dessa forma, constata-se que a ineficiência em sua resolução perpetua-se, seja pela inobservância das leis, seja pela permanência de preconceitos culturais.

Sob esse viés, percebe-se que existem leis, tal qual a Lei nº6568/13, que assegu-ram a prevenção, a detecção precoce, o diagnóstico e o tratamento de doenças acometidas a homens. Entretando, a ineficiência em suas aplicações está atrelada, principalmente, à falta de fiscalizações intensivas e de políticas públicas ostensivas por parte do Ministério da Saúde. Isso contribui, lamentavelmente, para a não busca por atendimento especializado em hospitais pela falta de conhecimento. Assim, conforme J. Locke, o “Contrato Social” - no qual o bem-estar social é responsabilidade do Estado -, é rompido, sem a efetivação das leis vigentes.

Ademais, consoante ao físico Albert Einstein, “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Em conformidade com tal afirmação, nota-se que o pre-conceito cultural da sociedade é baseado em premissas machistas e homofóbicas que culminam na supervalorização da masculinidade. Consequentemente, resulta no medo de fragiliza-la pela realização de exames médicos e na retaliação social por insinuações homossexuais - como exemplo observável do qual seis em cada dez homens têm medo de ir ao médico, em pesquisa realizada pelo G1. Desse modo, comprova-se a tese de Albert Einstein.

Logo, o Ministério da Saúde - órgão responsável pela regulamentação no setor - deve atuar no que tange à fiscalização, ao controle e ao fortalecimento de políticas públicas existentes, por meio de processos judiciais, de programas sociais e de projetos que promovam a difusão de locais de atendimento médico para exames específicos e o incentivo à prática de hábitos saudáveis para prevenção de doenças. Além disso, é vital também elaborar cartilhas e palestras educativas, pelo Ministério da Saúde, mediante a veiculação nas mídias sociais, a fim de demonstrar a importância na realização de consultas de rotina e exames preventivos.