A negligência em relação à saúde masculina no Brasil

Enviada em 28/04/2024

Conforme a Constituição Federal de 1988, saúde e bem-estar social são direitos de todos. Entretanto, a negligência da população masculina em relação a própria saúde é uma adversidade recorrente no Brasil. Dessa forma, é essencial adotar ações para superar essa realidade, resultado da inoperância estatal e do machismo estrutural.

A princípio, é notória a ineficiência governamental como propulsora desse cenário. De acordo com Nicolau Maquiavel, no livro ‘‘O Príncipe’’, os governantes devem priorizar o bem universal. Todavia, o Poder Público, ao não promover uma política eficaz de incentivo à saúde masculina devido ao fato de ser normalizado que os cuidados com corpo é uma característica feminina, contribui para agravar o quadro da saúde pública no país. Em face disso, é incontestável a necessidade de se elevar a participação masculina nas consultas médicas, por meio da difusão de informação e conhecimento, uma vez que ao não tratar algumas doenças, como as infectocontagiosas, torna-se possível que toda estrutura social fique propensa a desenvolvê-las também.

Ademais, evidencia-se o machismo como agravante desse cenário. Nessa lógica, a obra literária ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, de José Saramago, retrata uma sociedade moralmente cega, definida pelo egoísmo e apatia social.Paralelamente, nota-se a indiferença do corpo civil em relação a omissão masculina à saúde por considerarem que a figura do homem deve ser forte e viril, de modo a resolverem seus problemas por conta própria, contudo essa perspectiva torna esse grupo civil mais suscetível ao progresso de doenças de simples tratamento. Diante disso, é inaceitável que o essa parcela populacional continue sendo vitíma de uma estrutura social machista.

Dessarte, alternativas são fulcrais para reverter essa conjuntura. Logo, cabe ao Ministério da Saúde - responsável pela promoção da saúde - garantir o aumento na participação masculina às consultas de rotina, por meio de isenção em concursos públicos aos homens acima dos 30 anos que comprovarem no minímo 2 consultas de rotina por ano e terem o calendário vacinal atualizado, a fim de que haja suporte estatal e dicernimento social. Assim, honrá-se-á a Carta Magna.