A negligência em relação à saúde masculina no Brasil

Enviada em 10/12/2024

A Constituição brasileira de 1988 prevê, em seu artigo 6°, o direito à saúde. No entanto, esse direito vem sido abdicado por uma parcela da população masculina do Brasil; uma vez que, milhares de brasileiros do gênero masculino não frequentam ambientes hospitalares para fazer exames de rotina e nem em casos de necessidade. Por isso, deve-se analisar como o descaso midiático e o machismo impulsionam a permanência desse problema.

Em uma primeira observação, é preciso ressaltar como a invisibilização da mídia influência diretamente na continuidade da problemática. De acordo com uma pesquisa do DataFolha, o ambiente da telecomunicação apresentou cerca de 27% a mais de propagandas no “Outubro rosa”, mês de prevenção de doenças que afetam as mulheres, do que no “Novembro azul”, mês de prevenção de doenças que afetam os homens. Fator que explícita como os meios de comunicação não dão a mesma ênfase para as doenças que colocam a saúde da população masculina em risco.

Ademais, é necessário destacar como a construção preconceituosa masculina da sociedade serve de barreira para a resolucão de sua consequência. Isso porque, a partir desse pensamento muitos homens passam a crer que os cuidados médicos são desnecessários ou coisa de pessoas fracas. Como fica representado na telenovela “O tempo não para”, na ficção o pai da protagonista se nega a realizar consultas e exames mesmo apresentando sintomas graves, alegando que, como ele era um homem forte isso não seria preciso.

Diante do exposto, é dever do Ministério de Saúde, criar uma campanha de cunho informativo. Isso deve acontecer por meio de uma ação conjunta com o Ministério da Comunicação e o Ministério da Educação. Essa campanha deve ocorrer com o uso de propagandas em todos os meios de comunicação e com palestras nas escolas, desde o infantil até o ensino médio. Para que, o direito constitucional seja assegurado e o combate a negligência em relação à saúde masculina no Brasil seja eficaz.