A negligência em relação à saúde masculina no Brasil
Enviada em 06/08/2024
No documentário “A Máscara em que Você Vive”, mostra-se que a pressão para ser e agir de forma “masculina” afeta psicologicamente crianças e jovens, criando meninos inseguros e depressivos e, assim, contribuindo para a formação de adultos sexistas e agressivos. Fora do contexto fictício, a realidade aproxima-se da ficção, uma vez que é visível a negligência em relação à saúde masculina. Com efeito, seja pela inobservância estatal, seja pelo estigma sobre o cuidado com a saúde do homem, esse imbróglio mantém-se em evidência.
A princípio, é imperativo pontuar a omissão governamental em gerar caminhos para diminuir esse empecilho. Nesse âmbito, de acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, afirma que algumas instituições -dentre elas o Estado- perderam sua função social, mas conservaram sua forma a qualquer custo e se configuram como instituições zumbis. A metáfora proposta por Bauman serve para mostrar que algumas entidades estatais - a exemplo do Ministério da Saúde- perderam seu papel e acabam não criando campanhas suficientes para incentivar os homens a se cuidarem.
Ademais, convém analisar a resistência ao cuidado médico. De acordo com uma pesquisa feita pela SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), 46% dos homens só vão ao médico quando sentem algum problema. Isso ocorre porque, em muitas culturas, a masculinidade é associada à força e à autossuficiência, tornando o ato de buscar ajuda médica um sinal de fraqueza. Logo, urge a alteração desse quadro."
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esse entrave. Para tanto, urge que as escolas e universidades -instituições responsáveis em educar e formar opiniões- em parceria com o Ministério da Saúde promovam debates amplos e constantes acerca da negligência em relação à saúde masculina do homem, por meio de feiras culturais e campanhas de conscientização sobre exames regulares , a fim de mostrar aos indivíduos a importância de incentivar os homens a cuidar da própria saúde. Além disso, cabe à Mídia televisiva impulsionar, por meio de ficcções engajadas, como filmes, novelas e propagandas, a disseminação do conhecimento de que buscar ajuda médica não é sinônimo de fraqueza.