A negligência em relação à saúde masculina no Brasil

Enviada em 29/08/2024

A saúde do homem no Brasil é um assunto sério, que muitas vezes é tratado com grande negligência. Doenças como o cancêr de próstata e de pênis podem ser facilmente tratadas se forem descobertas no início, porém, muitas vezes a vergonha e o medo fazem com que os homens não procurem médicos e canais de atendimento adequados.

De acordo com o Centro de Referência da Saúde do Homem, 6 entre 10 homens têm medo de ir ao médico, e alguns desses o justificam como “medo de perder a masculinidade”. A sociedade, principalmente entre os próprios homens, derrama padrões másculos como sendo os “certos”, e o cuidado próprio acaba por ser visto como algo afeminado, que o torna “menos homem”. A falta de informação torna tal medo ainda maior, por acharem que se tratam de exames difíceis, complicados e até dolorosos, o que não é um fato.

A crença de que não há necessidade de cuidado com a saúde masculina acaba resultando em números alarmantes de doenças e até mesmo em amputações: a Sociedade Brasileira de Urologia e o Ministério da Saúde divulgaram o número de 459 amputações penianas no ano de 2022. Outra causa usada para justificar a não ida aos hospitais e a não realização de exames de rotina é a falta de tempo. Muitos pacientes recorrem a médicos apenas quando os fortes sintomas aparecem, e, na maioria das vezes, acaba sendo tarde demais. Doenças como o câncer de pênis podem ser facilmente evitadas se o paciente se higienizar corretamente e usar preservativos, por exemplo, mas poucos acabam sabendo disso pela negligência sofrida pelo tema, não tendo grande divulgação.

Em suma, nota-se que a saúde masculina é um tema de extrema importância e que é pouco abordado pela mídia e pelos próprios homens, por padrões impostos sobre eles. Canais de atendimento e consultas online oferecidos gratuitamente e com médicos à disposição para tirar dúvidas, gerenciados pelo Ministério da Saúde, são de grande importância, afim de facilitar o acesso a tal cuidado e à prevenção de doenças. Além disso, a disseminação de informações em escolas e nas mídias gerais, como em outdoors e na TV, também fazem-se de extrema importância para que vivamos em uma sociedade mais saudável e menos preconceituosa.