A negligência em relação à saúde masculina no Brasil
Enviada em 14/10/2024
A negligência com a saúde masculina no Brasil é uma questão preocupante, com muitos homens relutando em buscar cuidados médicos preventivos. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, 31,1% dos homens acima de 18 anos não consultaram um médico no último ano, um número consideravelmente maior que o das mulheres. Essa resistência contribui para uma expectativa de vida masculina cerca de sete anos menor, reflexo de comportamentos de risco e da baixa adesão a práticas preventivas.
Um dos fatores principais é a construção social da masculinidade, que ensina desde cedo que buscar ajuda médica pode ser visto como sinal de fraqueza. O preconceito em torno de exames como o toque retal, essencial para a detecção precoce do câncer de próstata, também impede muitos homens de realizarem esses procedimentos. Este câncer é a segunda principal causa de morte por câncer entre os homens no Brasil.
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, lançada em 2009, busca promover cuidados integrais, mas tem encontrado baixa adesão. A falta de campanhas voltadas especificamente à saúde masculina e o difícil acesso a serviços de saúde, especialmente em áreas mais afastadas, agravam o problema.
Para enfrentar essa realidade, é crucial o fortalecimento das políticas públicas, além da criação de programas de saúde preventiva nas empresas e campanhas de conscientização promovidas pela mídia. A sociedade civil, através de ONGs e instituições de saúde, também tem papel importante na disseminação de informações e na promoção de uma cultura de prevenção entre os homens, com foco em alcançar mudanças efetivas.