A negligência em relação à saúde masculina no Brasil
Enviada em 25/10/2024
A saúde masculina no Brasil tem sido historicamente negligenciada, tanto pela sociedade quanto pelos próprios homens, gerando um quadro alarmante de doenças e mortalidade precoce. Segundo dados do Ministério da Saúde, os homens vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres, e grande parte dessa diferença é atribuída à baixa adesão a práticas de prevenção e ao autocuidado. Nesse contexto, torna-se crucial compreender as causas dessa negligência e buscar soluções eficazes para promover uma cultura de cuidado entre a população masculina.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a construção social da masculinidade afeta profundamente a forma como os homens lidam com a própria saúde. O sociólogo Michael Kimmel, ao estudar o comportamento masculino, aponta que a masculinidade tradicional é frequentemente associada à força e à resistência, o que leva muitos homens a evitarem consultas médicas por medo de parecerem “fracos”. Assim, práticas de autocuidado são desestimuladas desde cedo, criando uma barreira cultural que impede o acesso a serviços essenciais de saúde. Esse comportamento resulta na detecção tardia de doenças, como o câncer de próstata, que poderia ser identificado precocemente com exames preventivos.
Além disso, a negligência institucional também contribui para esse cenário. Embora o Brasil tenha lançado, em 2009, a “Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem”, esse programa ainda carece de uma implementação eficaz. O antropólogo e médico Drauzio Varella enfatiza que “a saúde é uma questão de hábito e educação” e, portanto, é fundamental que o Estado invista em campanhas de conscientização focadas no público masculino, que combatam preconceitos e promovam uma visão de autocuidado. No entanto, tais iniciativas são pouco frequentes e, muitas vezes, limitadas a períodos específicos, como o “Novembro Azul”, resultando em um impacto restrito na população.
Diante disso é imprescindível que campanhas permanentes de conscientização e acolhimento sejam promovidas, visando quebrar o estigma em torno do autocuidado masculino. Sendo assim possível transformar a realidade da saúde dos homens no país, resultando em uma vida mais longa para essa parte do povo.