A negligência em relação à saúde masculina no Brasil
Enviada em 13/07/2025
No Brasil, a saúde masculina tem sido marcada por negligência e invisibilidade social. De acordo com o IBGE, homens vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres, resultado de fatores como o machismo estrutural e a ausência de políticas públicas eficazes voltadas a esse grupo. Nesse sentido, torna-se urgente debater as causas dessa realidade e propor medidas que garantam o acesso pleno dos homens ao cuidado com a saúde.
Em primeiro lugar, é importante considerar os aspectos socioculturais que contribuem para a negligência masculina. Desde a infância, muitos homens são socializados para reprimir emoções e evitar comportamentos que possam ser considerados frágeis, como ir ao médico ou expressar dor. Essa construção de masculinidade tóxica, como aponta a socióloga Judith Butler, acaba afastando os indivíduos do autocuidado e da prevenção de doenças. Como consequência, muitos só procuram atendimento em estágios avançados de enfermidades, o que dificulta o tratamento e eleva os índices de mortalidade.
Além disso, nota-se a ausência de políticas públicas consistentes voltadas à saúde do homem. Embora existam campanhas como o “Novembro Azul”, elas são pontuais e não alcançam todas as regiões do país com eficácia. Diferente das ações voltadas à saúde da mulher, que são mais amplas e contínuas, as iniciativas destinadas ao público masculino ainda enfrentam escassez de investimentos, divulgação limitada e baixa adesão. Assim, a falta de informação e de acolhimento nos serviços de saúde reforça a negligência histórica.
Dessa forma, é necessário que o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, desenvolva campanhas permanentes de conscientização sobre a importância do cuidado masculino, utilizando meios de comunicação de massa e agentes comunitários de saúde. Ademais, as escolas devem promover debates sobre a desconstrução de estereótipos de gênero, incentivando desde cedo uma cultura de autocuidado. Por fim, unidades de saúde devem ser adaptadas para garantir atendimento humanizado aos homens. Somente assim será possível combater a negligência e promover uma sociedade mais saudável e igualitária.