A negligência em relação à saúde masculina no Brasil
Enviada em 27/07/2025
No Brasil, desde o período colonial, o machismo é algo enraizado em nossa formação. País que contou com enorme influência católica, onde a função masculina e feminina sempre foi rigidamente definida, apontamentos de como esse sistema oprime e diminui as mulheres foram pertinentimente feitos, porém, ramificações acerca desse tema não tiveram o mesmo foco problematizante, tendo como exemplo: a negligência em relação à saúde masculina no Brasil causada pelo machismo estrutural.
Em primeiro lugar, faz-se necessário o destaque de como o homem também é afetado negativamente pelo machismo, principalmente quando se trata de saúde pessoal. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia e o Ministério da saúde, 1933 casos de câncer de pênis e 459 amputações, foram registrados no ano de 2022 em solo brasileiro, números alarmantes que são desconhecidos por maior parte da população, embora a própria tenha sido causa desses fatos. São diversos os ultrajes e sensos comuns ouvidos por toda criança do sexo masculino: “vira homem”, “isso é coisa de menininha”, “é macho ou não?”, entre outros. Essa criação, na maioria das vezes leva a um homem adulto frustrado e inseguro, mas em último caso, aos absurdos evidenciados nos dados.
Além disso, o aspecto psicológico também deve ser citado. Homens são maioria quando se trata de suicidas, moradores de ruas, viciados em drogas. A pressão que a sociedade exerce sobre esse grupo para se calarem e guardarem suas dores pra eles mesmos é colossal, tanto que isso passa a ser aceito e até naturalizado, com os próprios prejudicados sendo a favor desse modelo estrutural. Mas estamos no século XXI, padrões são quebrados, a modernidade urge por mudanças, assim como a realidade feminina mudou nos últimos anos, a masculina também merece o novo.
Diante disso, torna-se indispensável a ação dos órgãos estatais responsáveis. É dever do Governo Federal e Ministério da Saúde incentivar a saúde masculina desde o maternal, tanto física quanto psicológica, por meio de check-ups anuais e terapia, e para os mais velhos, anúncios em rádios, televisão e internet. Desse modo, poderemos mudar a realidade masculina, a atual e a futura.