A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios
Enviada em 20/09/2025
‘‘Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.’’ A frase de Marina Colasanti retrata a propensão da coletividade em normalizar injustiças sociais graves, como o amadurecimento precoce e suas consequências no Brasil. Nesse ensejo, é essencial adotar ações para superar essa mazela, fruto da ineficiência estatal e da desigualdade socioeconômica.
A princípio, é notória a inoperância institucional como propulsora desse cenário. Sob essa ótica, de acordo com Nicolau Maquiavel, no livro ‘‘O Príncipe’’, os governantes devem priorizar o bem universal. Todavia, o poder público ao não promover medidas eficazes contra a adultização, a exemplo da criação de leis que punam com rigor os envolvidos e incentivem a denúncia, termina por acentuar a perda da infância de crianças e adolescentes no país. Em face disso, é injustificável que a postura improdutiva do Estado comprometa o amadurecimento saudável, visto que esse contexto pode resultar em adultos disfuncionais, com problemas emocionais e sociais, como depressão, ansiedade e crises de agressividade.
Ademais, a disparidade socioeconômica intensifica a permanência desse impasse. Nessa lógica, a obra ‘‘Ensaio Sobre a Cegueira’’, de José Saramago, revela uma sociedade moralmente cega, definida pelo egoísmo e pela apatia civil. Essa alienação moral se reflete na naturalização do trabalho infantojuvenil pela comunidade cívica, em razão dessa prática ser vista de forma positiva, sobretudo, por famílias hipossuficientes e de baixa escolaridade que a entendem como uma maneira honesta de conseguir dinheiro. Diante disso, torna-se inadmissível a perpetuação dessa conjuntura, uma vez que a atividade laboral precoce dificulta o avanço educacional e por conseguinte a ascensão social na vida madura.
Dessarte, alternativas são fulcrais para reverter esse quadro. Logo, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social, promotor da isonomia, garantir o direito à infância, por meio da criação de um projeto de lei que forneça auxílio monetário para as famílias que possuam menores de idade que trabalham, por razões de sobrevivência, bem como torne a adultização um crime inafiançável, a fim de que a maturação saudável seja preservada e a prerrogativa da dignidade humana efetivada. Assim, essa realidade deixará de ser normalizada.