A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios

Enviada em 04/10/2022

Na obra “O cidadão de papel”, o escritor e jornalista Gilberto Dimenstein disserta sobre a ineficiência dos direitos dos indivíduos, dado que a cidadania é apenas teórica, e não efetiva na prática. Nesse sentido, o disposto pelo autor é vivenciado por muitas crianças e adolescentes que, à medida que são submetidos ao amadurecimento precoce, são privados da proteção prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Desse modo, é essencial analizar os principais malefícios da normalização desse contexto hostil: a erotização infantil e o desenvolvimento de distúrbios psiquícos.

Com efeito, é nítido que um dos efeitos nocivos da adultização prematura é a erotização infanto-juvenil. Isso acontece, porque, como já estudado por Marshall McLuhan, filósofo e teórico da comunicação, os meios de comunicação são uma extensão do corpo humano, formando mensagens, haja vista que toda a gama de possibilidades de buscar informações- como as plataformas digitais - acaba moldando a nossa forma de pensar, de agir e de ser. Sob essa ótica, a alta carga de informaçoes eróticas a qual o publico infanto juvenil é exposto cotidianamente no universo tecnológico - como videoclipes erotizados como o da cantora Mc Melody - naturalizam a maturação adiantada.

Além disso, é essencial citar um dos efeitos nocivos da supressão da infância devido à cobrança excessiva por produtividade: o desenvolvimento de transtornos mentais. Tal questão ocorre, pois, de acordo com Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, dentro do sistema que rege o capitalismo contemporâneo, o indivíduo é valorizado por ser multitarefas. Com isso, as crianças são estimuladas a terem um comportamento corporativo, com muitas atividades cotidianas. Logo, a normalização dessa maturação adiantada- imposta a esse grupo pueril- pode resultar em ansiedade e/ou burnout.

Nota-se, portanto, a necessidade de reverter esse cenário de enefetividade do ECA. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde, dar competência às respectivas secretarias estaduais e regionais para articular campanhas e palestras em escolas, direcionadas aos pais dos alunos, a fim de convencê-los sobre a importancia de proteger a infância e combater o amadurecinto precoce. Dessa maneira, com a conjuntura de tais ações, os brasileiros verão o direito garantido pelo ordenamento jurídico mencionado, como uma realidade.